Dificuldades para amamentar: 7 histórias de dificuldades e persistência

15 min


Amamentando o bebê, dificuldades para amamentar

Conheça nestes relatos de amamentação 7 mulheres que tiveram dificuldades para amamentar, falta de apoio e persistiram sendo bem sucedidas.

A maioria das mulheres tem dificuldades para amamentar e muitas compartilham das mesmas dores e desafios da maternidade.

Poucas conseguem ser persistentes em meio a tantos desafios, no entanto, o relato de mães que tiveram dificuldades para amamentar e persistiram, pode te dar aquela força que você precisa para continuar.

Relato 1: AMAMENTANDO COM DIFICULDADES E BABY-BLUES

Meu nome é Carla, tenho 28 anos e meu pequeno Lucas completará neste domingo (dia 4 de janeiro) seus 2 anos de vida e muito amor líquido. Há 2 anos nascia junto com um lindo bebê, uma inexperiente mãe de primeira viagem. Já saindo da maternidade com uma receita e recomendações de introduzir L.A. Eu não tinha ideia do que esperar e muito menos das dores que eu enfrentaria.

Mas eu tinha certeza de uma coisa: “meu filho vai mamar, custe o que custar!”. Foi só pisar em casa para tudo mudar…dores insuportáveis, sangramentos, seios rachados e quase empedrados. Lágrimas, pitacos, pessoas me desencorajando e me estimulando a dar mamadeira, mais lágrimas, dor, tristeza, baby-blues e um bebê faminto.

Depois de quase 30 dias de angústia, finalmente, o corpo seguiu a natureza, o pequeno agarrou o peito da maneira certa e o leite fluiu. A etapa da adaptação foi vencida, passamos ilesos pelo “irresistível caminho” do leite artificial. E agora? Agora o obstáculo era a livre e EXCLUSIVA demanda até os 6 meses. Mais pitacos, mais pessoas sugerindo que eu oferecesse chazinho, água, suquinho e mais “inhos”. Nessa onda eu quase caí. Muitas cólicas e choros madrugada adentro e eu quase surtando, por pouco não ofereci esses inofensivos “inhos”.

Busquei informações, questionei médicos, li e me informei nos grupos do facebook e a decisão foi: “NÃO! Meu filho não precisa disso, eu sou capaz, eu vou nutrir o meu bebê e o meu leite está aqui para isso.

Pro inferno todos esses conselhos!”. Chegamos felizes nos seis meses. Ufa! Mais uma etapa concluída com sucesso. O que vem agora? Agora é a amamentação prolongada, pelo menos até os 2 anos. Agora é ter a resposta na ponta da língua para todos os questionamentos que virão.

– Até quando?
– Esse menino tá viciado no peito.
– Tá na hora de desmamar.
– Desmama senão ele não vai comer direito.
– Desmama senão você nunca mais vai ter uma noite de sono decente.
– Vai amamentar até os 15?
– Esse menino vai ficar dependente e mimado.
– Esse leite é fraco, não alimenta mais ninguém.
– Que falta de vergonha, mostrando os peitos em público.
– Esse menino vai mamar em pé.

Essa etapa é (tem sido) marcante. Há dias que me ofendo e há dias que me faço de surda e sonsa. Eu ainda tenho fé que um dia mulheres terão acesso à informação decente e saberão a força que tem. Sim, somos capazes de nutrir. Sim, é muito cansativo e há dias que eu quero parar, mas o conhecimento que adquiri não me permite. Eu tenho certeza que o desmame abrupto não é o caminho ideal e eu certamente me arrependeria. Nossos filhos merecem mamar e ser acalentados.

A amamentação nutre os nossos corações e isso não tem preço. Tenho certeza que eu ainda vou me recordar destes momentos com muita saudade. E agora? Nosso próximo desafio é seguir em frente e aguardar o desmame natural e respeitoso. Meu filho merece isso. Seu filho também merece. Toda criança merece isso! Força, mulheres! Somos capazes.

Agradecimento especial ao meu marido por me apoiar e me ajudar a seguir em frente. Agradeço aos familiares, aos amigos virtuais, grupos de apoio e profissionais que de fato são comprometidos com o aleitamento materno.

Agradeço ao Mama Neném pelo espaço para contar nossa história de amamentação (que ainda não terminou) e por apoiar e acolher as mulheres que buscam informações para continuar. Grande beijo.

Carla, mãe do Lucas de 2 anos.


Relato 2: AMAMENTANDO PROLONGADAMENTE UM BEBÊ “BAIXO PESO” COM ALERGIA ALIMENTAR (APLV)

Acredito que a primeira experiência de amamentação é a mais marcante, afinal tudo é novo, tudo é desafio. E realmente tive muitos desafios na amamentação do meu filho Miguel, hoje com 5 anos.

Apesar de ter nascido de parto natural, Miguel nasceu numa maternidade-hotel, que separa mães e bebês nas primeiras horas de vida. Isso é sempre um desafio, porque ao invés de facilitar o vínculo e a amamentação, dificulta.

Depois de 6 (SEIS) horas separados, Miguel chegou dormindo e levou dias para aprender a mamar bem. Pelo menos nunca tive dor nem fissuras ao amamentar…

Passado esse primeiro desafio, chegam as consultas pediátricas e a temida BALANÇA! Desde a primeira consulta, Miguel não engordava bem, ou melhor, engordava só o mínimo.

Estava sempre no limite, inclusive das curvas da tabela de peso: percentil 3 – aquela linha vermelha láaaaa embaixo. Apesar de nunca ter sido receitado nenhum leite artificial para ele, os olhares de primeira e da segunda pediatra (quando me mudei de cidade, troquei) eram sempre preocupados.

A primeira, inclusive, chegou a comentar: “Quando ele começar a comer, ele engorda, vc vai ver!”. Entendeu o que está implícito nesse comentário? É a mesma coisa que dizer: “O seu leite é fraco, não faz engordar”. Sempre me achei capaz de amamentar exclusivamente meu filho, mas esse tipo de comentário, de uma maneira ou de outra, acaba abalando a autoconfiança, né?

Até da minha mãe escutei: “Será que vc tem leite suficiente? Esse menino quer mamar toda hora!” E é assim que as mulheres se rendem ao leite artificial. Acreditam em mitos que as pessoas propagam e desacreditam da natureza, de sua capacidade de gerar, parir e nutrir sua cria.

Não vou mentir. Eu liguei para o banco de leite humano onde orientam as mães com dificuldade na amamentação e expus “minha” dúvida: “Será que tenho leite suficiente?” E a resposta foi categórica: SIM! Me dei por satisfeita.

Nunca me rendi. E ainda bem! Miguel tinha refluxo. Sempre achei estranho, mas todo mundo dizia que era normal, então tá, né? Até que chegou a Páscoa. Ah! A Páscoa! Como toda mãe amamentando, com aquela fome, me entupi de comer chocolate. O resultado foi quase que imediato. O Miguel, que nunca tinha tido cólicas, passou a tê-las e gritava!

Os vômitos de jato pioraram, o incômodo também, e para piorar, no dia seguinte não conseguia mamar, por conta de uma esofagite. APLV, alergia à proteína do leite de vaca. Esse foi o diagnóstico.

Tive que cortar da minha alimentação (já que Miguel mamava exclusivo no peito por ter só 4 meses) absolutamente todos os alimentos que contivessem leite, derivados ou traços. E ele aos poucos melhorou, mas não completamente. O próximo passo foi excluir a soja. Ah! Foi como tirar com a mão! Não tinha mais nenhum incômodo, tudo lindo!

Apesar da dieta de exclusão, Miguel continuava não sendo um bebê gordinho e continuava a escutar da enfermeira da puericultura que ele era “baixo-peso”. Cara, é horrível escutar isso! Pelo menos, depois da introdução alimentar e do controle da alergia, eu então tinha certeza de que esse é o biótipo dele.

Só para resumir a história: Passados esses percalços, a amamentação flui bem e continuamos até 3 anos e 2 meses, apesar de alguns olhares de reprovação e apesar de a pediatra ter me dito que, após o primeiro ano, eu “já tinha cumprido minha obrigação”.

O desmame: Sempre digo que foi quase natural, porque ele foi diminuindo gradativamente o interesse pelo seio. Com 2 anos, parou de mamar por consolo. Com 2 anos e meio, parou de mamar de dia.

E tudo se encaminhava para um desmame completamente natural, até eu ficar grávida. Não que exista algum problema em amamentar grávida, mas sentia MUITA dor ao amamentar e para completar, aos 3 meses de gravidez, meu leite, que já era pouco por conta da demanda, praticamente secou. Com isso, fomos conversando sobre como eu me sentia e o Miguel decidiu parar. O maior desafio dele foi aprender a dormir sem sugar, pois nunca nenhum bico artificial, seja chupeta ou mamadeira, entrou aqui em casa.

Mas em poucas semanas, esse último desafio foi superado e só posso me sentir feliz e orgulhosa por ter completado todo um caminho, principalmente quando sabemos que a média de amamentação exclusiva no Brasil é de menos de 2 meses. Mulheres, mães, acreditem! Vcs são capazes!

Aline, mãe do Miguel de quase 4 anos.


 

Relato 3: AMAMENTANDO A 2 ANOS E VENCENDO OS DESAFIOS

O primeiro presente que ganhei para minha filha foi um esterilizador de mamadeira. No total ganhei 3. Fora as chupetas, mamadeiras, bicos de silicone e pomadas para o bico. Ganhei também um livro de 1980 super famoso.

Recebi recomendações de vários pediatras de amigas queridas. Fiquei feliz com a atenção recebida mas sempre me questionava se essa era a maneira que gostaria de criar minha filha.  Uma querida amiga disse para eu ler sobre amamentação.

– Ué? Não é só por no peito?
Quisera eu ser tão fácil assim….Consegui amamentar na primeira hora. Doeu muito. Gritei nas duas primeiras abocanhadas. Que pegada forte ela tinha. Meu peito jorrava leite. E ela mamava muito.

De tempos em tempos as enfermeiras vinham apertar meu peito. Achava um absurdo. Me sentia invadida, porque eu dizia ter muito leite mas minha palavra não eram suficientes. Elas tinham que apertar meu peito. Ainda na maternidade, minha filha precisou tomar banho de luz. Fiquei o tempo todo olhando ela naquele berço estranho. Ela berrava muito. A enfermeira disse que daria água para minha filha. Que era protocolo do hospital.

– Eu amamento ela. Não precisa dar água.
– Mãezinha, é protocolo dar água.
– Eu ouvi, mas eu não autorizo. Vou amamentar. Me da ela que eu amamento aqui mesmo.
– Não posso tirar ela do banho de luz. O protocolo é dar água.
Fiquei muito brava.

– Meu peito está cheio de leite. Tenho uma concha aqui lotada de leite. Minha vontade é jogar nesse vidro pra você ver. Não me deixe mais nervosa. Me dá a minha filha. Eu não autorizo você a dar água.

Na época eu usava a concha para segurar o leite que pingava. Acredito que não seja a maneira mais correta mas era o que eu sabia na época. A enfermeira levou a minha filha pro quarto e ela mamou muito até dormir.

Foi muito difícil receber visitas em casa e fazer livre demanda. Ninguém da família conhecia essa técnica, nem meu marido. Não me lembro de ter recibo apoio. Apenas me recordo dos comuns palpites:

– Ela chora de fome.
– Ela está mal acostumada com tanto colo.
– Eu tive pouco leite. Meu filho parou de acordar anoite quando passei a dar mamadeira.
– Deve ser cólica. Melhor dar remédio.
– Coloca a chupeta no açúcar que ela para.

E ela acordava a noite toda. Era de hora em hora muitas noites seguidas. E era visita o dia todo em casa. E eu achando que não tinha leite. Que meu corpo não estava dando conta. Que eu realmente estava sendo intransigente. Afinal, um pouco de água não iria fazer mal. Ou iria? Estava muito quente. A porta do quarto ficava fechada por conta do barulho das visitas. Eu suava. Ela suava.

A minha água acabava e eu sem vontade de me arrumar para ir até a cozinha pegar mais. Eu me arrumava e ia pegar água. E a nenê ia passando de colo em colo. Pedia para segurarem ela de tal jeito, mas ninguém me ouvia. Todos sempre tinham um palpite melhor que o meu. Afinal, não era só o meu jeito que estava certo. Muitas visitas colocavam a chupeta na boca da minha filha.

Eu entendo que as pessoas fazem isso de bom coração, que querem ver minha filha saudável e feliz. Mas sabe, se a mãe fala que ela estudou e está fazendo diferente o que custa respeitar? Repito: ninguém me apoiava na livre demanda exclusiva. Nem o pediatra. Mas eu tenho um lema: eu pago a conta. E essa briga era minha. Eu iria vencer e ela seria amamentada exclusivamente com leite materno em livre demanda. E já que eu estava sozinha nessa guerra, o inimigo saiu de cena. Proibi visitas. Era eu e ela 100% do tempo. A louca, a chata, a que não entende que a família quer ver a nenê e pegar ela no colo. Pouco me importa o que pensaram de mim. Só uma pessoa se dispôs a vir me ajudar com a casa sem pegar a nenê em troca.

E eu consegui. LME em LD por 6 meses. Me entristece saber que muitas mães não sabem o que significa essas siglas. Não usei os esterilizadores. Nem as mamadeiras. Fiquei sabendo que um dos pediatras que me indicaram teve uma neta um pouco antes da minha filha nascer. E essa nenê não foi amamentada. Ainda bem que eu não fui nele.

Mas esse fato me fez pensar em como os pediatras estão desatualizados. Imagino que um avô queira que sua neta receba o melhor do mundo. E eu fico triste em saber que ele ache que leite artificial é melhor que o leite materno. Será que tem a ver com os congressos que ele participa? Muita coisa fez sentido para mim quando eu abri o site da sociedade brasileira de pediatria e vi em destaque o patrocinador: a maior indústria de leite artificial e papinhas prontas do mundo. Pra mim, isso é indigesto. Blerg.

Quando minha filha tinha 5 meses eu fui madrinha de casamento. Antes da cerimônia, entrei numa sala da igreja, tirei o peito do vestido chique e amamentei. O padre entrou logo em seguida e levou o maior susto. Ficou super sem jeito em me ver amamentando no escuro. Ele precisou acender a luz para encontrar algum papel nas gavetas. Eu não sabia se guardava o peito ou não.

Agora minha filha tem dois anos e continua mamando muito. Muita gente acha um capricho meu, que já está bom, mas eu vou esperar ela decidir. Engraçado que com uns 18 meses de vida a relação com o peito mudou. Ela trata ele como uma entidade. Ela da água e comida para os meus seios. Ela brinca, cheira, beija, da banho, enxuga, faz carinho. E mama muito! Confesso que estou cansada de amamentar. Algumas vezes proponho trocas e ela aceita. As vezes só o peito salva. E assim vamos levando. Com respeito mútuo e muito amor.

Carolina Borges, mãe da Clarice de 2 anos



Relato 4: AMAMENTANDO APÓS SEGUIDAS MASTITES

Me chamo Brisa tenho 26 anos sou mãe de primeira viagem do Matheus hoje com 4 meses. Nasceu de parto normal. No hospital que ganhei não fui muito bem orientada sobre amamentação e pega correta, logo quando chegamos em casa ele “comeu meus dois bicos”, isso com 5 dias de vida!

Fui ao banco de leite de Santos no hospital Guilherme Álvaro e me ensinaram a fazer a pega correta mas como estava com o dois bicos em carne viva tive infecção “sapinho” e pouco tempo depois veio a primeira mastite, meu bebê sempre mamou em livre demanda mas não dava conta do peito direito. As duas primeiras mastites consegui desempedrar o peito só com massagem e ordenha.

A terceira veio em outubro e não consegui desfazer com massagem, fui orientada a fazer a massagem no banho, o que piorou e muito. Fiz o primeiro USG em 9/10/2014 já com indicação de abcesso, na mesma data entrei em contato com a minha GO e ela tentou punção com agulha grossa mas sem sucesso pois a medicação que me passaram pra tratar a infecção ainda não tinha feito efeito em localizar a bactéria.

Ela pediu que eu retornasse uma semana depois, mas em 5 dias o quadro piorou muito minha mama começou a apresentar edemas roxos, fui internada em 15/10/2014. Primeiro tentamos punção guiada sem sucesso e depois a drenagem cirúrgica, fiquei internada até 18/10/2014. Mesmo fazendo a drenagem sentia que atrás do bico algo continuava ali, comentei no banco de leite e mais uma vez fiz USG que apontou galactocele na região retroareolar,  faço uso de antibióticos desde 13/11/2014. Tive até hoje 6 mastites!

Consegui através de uma massagem bem forte com auxílio do banco de leite fazer mais uma drenagem da infecção. Durante todo o processo continuei amamentando com essa mama. Fiz mais USG que mostrou que o tamanho e a localização tinha mudado! Durante esse tempo passei com um mastologista mas também não conseguiu entender o que ocorre com a minha mama direita.

Nesse período entrei em contato com o grupo Mama Neném que me incentivava a seguir na amamentação e dava alternativa do que eu poderia tentar fazer, passaram o contato de uma obstetriz que era especialista em amamentação, entrei em contato com ela mas ela só estava focada em partos me passou o contato da Sandra.

A Sandra tinha acabado de chegar do congresso de amamentação e lá falaram desse caso parecido com o meu quando o corpo não regula a produção conforme a demanda do bebê. Então ela me passou um procedimento de ordenhar, oferecer para o bebê mamar e logo após que ele mamou e esvaziou enfaixar a mama por um determinado tempo!

Finalmente algo está dando certo faz 20 dias que não tenho mais sintomas de mastite não houve progressão do empedramento da mama, antes o bico do peito ficava duro e o bebê estava tendo dificuldade de mamar.

Enfim, durante esse processo eu escutei de alguns médicos que eu não poderia amamentar mas não fazia sentido eu ter tanto leite e não poder amamentar então dei ouvido ao meus instintos e me cerquei de pessoas pró-amamentação.

Agradeço de coração a todos que me ajudaram e ajudam até hoje: meu marido (superpai), minha família, minhas amigas: Kelly, Dani e Paty, Dra. Claudia Ribas, Dra. Keiko Teruya, Dra. Tereza, Dra. Bia e todas as enfermeiras (banco de leite de Santos), equipe Mama Neném e Sandra. Consegui chegar até aqui com ajuda de vocês! Um beijo enorme e minha gratidão!

Brisa, mãe do Mateus de 4 meses


Relato 5: AMAMENTANDO GRÁVIDA

Amamentei meu filho exclusivamente até os seis meses. Tive dificuldade no início pois não tive apoio da minha família, meu marido sempre me apoiou e foi de acordo, mas senti ele vacilar diante de alguns argumentos da mãe dele dizendo que já viu bebês desidratados e que tinha que dar pelo menos água ou chá. Minha mãe dizia pra mim que dava muito trabalho, que o bebê fica muito grudado e que eu e minhas irmãs não fomos amamentadas, e que estamos vivas até hoje! Decepção ouvir isso da minha mãe, mas entendo que ela não teve a informação que eu tenho hoje.

Mas fui firme na minha decisão porque sabia que era o melhor para meu filho e me orgulho disso. Meus bicos machucaram bastante no início, fui orientada a passar o próprio leite nas aréolas e eu usava aqueles absorventes de seio, fui orientada a não usar pois eles abafam o seio e a probabilidade de algum fungo ou bactéria aparecer é maior. Depois que parei de usar meus seios melhoraram muito. Agora descobri que estou gravida novamente e meu filho tem 1 ano e 1 mês e ainda mama em LD.

Fui ao posto iniciar o meu pré natal, participei de uma reunião de gestante, durante a reunião meu filho quis mamar e quando fui oferecer o peito a ele fui advertida pela enfermeira que me disse que como eu estava grávida eu deveria desmamar meu filho o quanto antes, ela disse que depois de um ano o único benefício de amamentar é o vínculo que fica entre a mãe e o bebê.

Eu respondi que pretendo continuar amamentando, que optei pelo desmame natural e que existem provas científicas de que amamentar durante a gravidez não prejudica nenhum dos dois bebês.

Ela não gostou muito da minha resposta, pelo que pareceu. Disse que meu filho teria problemas pra se socializar quando fosse para a escolinha, pois ficaria muito grudado em mim, que o bebê que vai nascer ficaria desnutrido, pois não teria o colostro pra ele mamar, me disse um monte de coisas, que entrou por um ouvido e saiu por outro rs.

Fico triste, as pessoas que trabalham na área da saúde dando assistência às gestantes deveriam ter mais conhecimento, ao invés de estimular a amamentação elas fazem o contrário.

Graças a informação que tenho nessa página me sinto segura para continuar amamentando meu filho e meu sonho é amamentar em Tandem quando esse bebê nascer. Obrigada Mama Neném!

Gabriela D`Alonso, mãe de um bebê de 13 meses e grávida novamente

 


Relato 6: AMAMENTANDO COM DIFICULDADES E SEM APOIO

Olá bom dia a todas.Vou hoje contar história do meu desmame traumático e da minha bebê que graças a Deus ainda mama no peito!
Meu nome é Patricia, tenho 26 anos, sou casada e mãe da Alice de 6 meses.

Eu fui amamentada até os 3 anos de idade e amava mamar. Meu pai faleceu quando eu tinha 2 anos e pouco tempo depois minha mãe conheceu meu ex-padastro. Para poder sair ela me tirou do peito de um dia para o outro. Minha irmã mais velha me contou que ela fez isso uma noite em um dia que ia sair a noite só ela e ele e eu não parei de chorar. Chorei a noite toda.

Resumindo: foi um trauma tão grande que quando eu estava com 5 anos minha irmã caçula nasceu e 2 meses após seu nascimento tive uma convulsão! Tomo remédio controlado até hoje e os médicos dizem que a causa é emocional. Vou falar agora da minha bebê. Minha primeira filha, eu sem noção nenhuma de amamentação.

Minha mãe veio para minha casa para ficar comigo na quarentena! Os primeiros dias eu chorei para amamentar, meu peito empedrou, rachou e minha mãe só sabia falar: “Aguenta, eu aguentei quando você nasceu, comigo foi igual”. Os outros de fora diziam: “Põe o bico de silicone para o seu bico sarar, dá mamadeira”.

Até então foi o de menos, passada uma semana, já sentia menos dor. Quando a Alice estava com um mês, ela chorou demais, todos os dias á noite, aí começava minha tortura psicológica, minha mãe começa: “Essa menina esta com fome, dá uma mamadeira pra ela, seu leite ta fraco”.

Até a Paola (minha irmã) que é pobrezinha consegue comprar o leite do filho dela (ela falava isso para irritar meu marido, dando entender que o motivo pelo qual não dávamos LA era por pão durismo).

Fomos eu e meu marido as 01:00 da manhã ao médico para ver o motivo. Meu marido não queria que eu a tirasse do peito por opinião da minha mãe, se a médica disse que sim, seria diferente e eu queria dar ouvidos a minha mãe, afinal ela criou três filhas e dois netos já, mas ao mesmo tempo eu queria tanto amamentar minha bebê.

Graças a Deus a médica do plantão me disse que não existe leite fraco e o choro do meu bebê poderia ser por inúmeros motivos, dor por exemplo. Eu cheguei em casa disposta a amamentar. Minha mãe disse: “Come arroz doce que enche o peito”. Eu comi. “Come pão molhado no café com leite”. Eu comi. E depois que ela foi embora, nunca mais senti que meu leite estava fraco.

Digo uma coisa muito importante: o psicológico interfere e muito. Muito sábia a frase do Mama Neném quando diz: “Mãe, ás vezes a falta de leite está na sua cabeça e não no peito”. Minha bebê mamou exclusivamente até os 6 meses, apesar da pediatra ter passado frutinhas com 5 meses, eu só agora com 6 meses comecei a introdução alimentar.

Patricia, mãe da Alice de 6 meses.

 



Relato 7: AMAMENTANDO BEBÊS APLV (ALERGIA A PROTEÍNA DO LEITE DE VACA)

Meu nome é Debora, tenho 20 anos e sou mãe da Liah de 7 meses, ela é APLV e foi diagnosticada poucos dias antes de completar 2 meses de idade. Liah mamou exclusivamente até 6 meses completos, com 6 meses e 1 dia começamos a introdução alimentar, lenta e gradual.

Não foi nada fácil o começo da amamentação, graças a Deus meu peito não ficou machucado, apenas sensível, pelo fato de nunca ter amamentado e nunca havia tido esse “atrito” nós seios.

Liah nasceu prematura, não mamava bem, ela sabia como fazer mas não conseguia, meu seio é muito grande e ela não conseguia segurar o bico na boca pra mamar, foi aí que eu precisei tirar o leite com a bomba e dar na mamadeira, os dias foram passando e fui tirando a mamadeira que tinha apenas o meu leite e conseguimos com que ela mamasse no peito.

Aí tivemos a descoberta da APLV, urgentemente tive que mudar tudo, retirar tudo o que possa conter leite e derivados da minha alimentação e trocar utensílios de cozinha, pois todos os meus antigos utensílios, haviam tido grande contato com leite. Hoje Liah come e mama.

O leite materno é seu alimento preferido, além de alimento é ali mamando que ela se sente segura, acalentada e levamos a vida quase que normal, só não é normal por termos que levar nossa comida numa bolsa térmica, pra qualquer lugar que formos, rsrs.

Debora, mãe da Liah de 7 meses.

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