Leite materno é forte: não tenha dúvidas a respeito disto

Leite materno é o melhor e mais adequado alimento para o bebê. Capaz de suprir todas as necessidades.7 min


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Leite materno é forte

Todo leite materno é forte.

E considerando que todo leite materno é forte, não há medidas a serem tomadas para que isso “melhore”. Explico…

Diariamente mães estão em busca de receitas milagrosas para melhorar a qualidade de seu leite e torná-lo mais forte. No entanto, todo leite materno é forte. Ponto.

O que precisa ser mudado é a insegurança materna em relação a sua capacidade de produzir um alimento de alta qualidade para seu bebê.

Pode ser que muitas mulheres associem uma baixa produção de leite materno, que interfere no ganho de peso do bebê, com falta de qualidade do leite materno. Ou até mesmo acreditem que é por isso que o leite materno não é forte.

Não produzir uma quantidade de leite materno suficiente não tem nada a ver com a qualidade do leite materno. O leite materno é forte mesmo quando esta sendo produzido em baixa quantidade.

Não há nada a ser feito para tornar algo que já é forte e considerado o melhor alimento para o bebê, melhor, pois não precisa. Porém há manejos possíveis para aumentar a quantidade do leite materno e atender as necessidades de quantidade adequadas.

Saiba como aumentar o leite materno nestes artigos:

Seu bebê esta mamando leite materno suficiente? Saiba aqui:

A questão nunca foi o leite materno não ser forte o suficiente para o bebê. A questão sempre foi o leite materno não ser produzido por algumas em quantidades adequadas para o bebê ou muitas acharem que não era suficiente.

Há mães que por uma série de fatores podem produzir uma quantidade reduzida de leite materno. Há muitas outras mães que acreditam que não produzem o suficiente, mesmo produzindo. Por vários motivos, mais também por desconhecerem o comportamento do bebê.

Motivos que fazem a produção de leite materno ser baixa:

Leite artificial faz o bebê dormir mais a noite?

Este é outro mito muito difundido que atribui ao leite materno o termo de fraco. Isto porque muitos possuem a falsa noção de quê o leite artificial sustenta mais. Saiba que o bebê dormir um noite inteira depois de uma mamadeira de leite artificial não é a realidade de todas, muitos continuam acordando porque o que querem é contato. Algo que o peito materno proporciona.

Quando um bebê dorme a noite inteira depois de uma mamadeira de leite artificial, isso acontece porque o leite artificial é indigesto para ele. E isto, não é algo a ser comemorado.

Mesmo se ele dormir a noite inteira. O bebê pode dormir a noite inteira porque de tão indigesto e de difícil digestão, o leite artificial faz o pequeno organismo do bebê trabalhar mais para digerir. O que cansa o corpo e o faz dormir. Mas dormir neste sentido, não significa dormir bem.

O leite materno por sua vez, é de fácil digestão e leve. Leve e forte! O bebê consome e ele é facilmente digerido, fazendo com quê se organismo trabalhe na medida certa e absorvendo todos seus benefícios.

Sejamos sinceros: o leite artificial possui um desempenho no organismo do bebê inferior ao leite materno. Ou seja, o leite materno neste sentido, continua sendo forte.

Todo leite materno é forte!

Se você sente que seu leite não esta sendo suficiente para seu bebê, busque ajuda e informação. Leia todos os artigos acima mencionados para tentar entender o que pode estar acontecendo e fazer mudanças para que isto melhore. Nunca duvide da qualidade do seu leite.

Leite materno é o melhor e mais adequado alimento para o bebê. Capaz de suprir todas as necessidades de crianças recém nascidas de forma exclusiva até os 6 meses de idade. Também é o alimento principal do bebê até 1 ano de idade e um complemento importante a alimentação do bebê até 2 anos ou mais, segundo a Organização Mundial de Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria e Ministério da Saúde.

Saiba aqui tudo que há de bom no leite materno: Composição do leite materno e seus mistérios

É preciso falar sobre o desmame comercial praticado em prol do consumo de leites artificiais em detrimento da saúde infantil.

Todos sabemos que o leite materno é supremo em propriedades para o bebê e esta acima de qualquer outro em qualidade. A supremacia do leite materno é indiscutível e inabalável.

>>  A Supremacia do Leite Materno

Então, por que vivemos um paradoxo onde ocorre a troca do leite materno pelo leite artificial na maioria dos casos sem a menor necessidade, mesmo todos sabendo que o leite materno é supremo? Porque ainda hoje se pratica o desmame comercial? O que justifica tal comportamento na sociedade?

Como essa idéia distorcida de que o leite da mãe é fraco e que ela precisa complementar se fixou de forma tão forte na cabeça das pessoas?

Marketing. Estratégias de comunicação feitas durante o tempo que equipararam de forma leviana a qualidade de ambos.

Um dos maiores problemas das indústrias que produzem leite artificial hoje é fazer com que este leite artificial se assemelhe ao leite materno. Eles não conseguem isto porque o leite materno além de todas as qualidades que possui, é praticamente um organismo vivo que se adapta e muda constantemente as necessidades do bebê.

>> Quanto custa o leite artificial x uma consultora de amamentação

É uma dinâmica tão esplêndida da natureza que até hoje indústria nenhuma conseguiu copiar ou até mesmo chegar próximo a sua grandiosidade.

>> Leite materno se adapta às necessidades do bebê

A questão é que o marketing adotado cumpre seu papel de forma muito bem feita, porque se direciona a mães em um momento em que elas estão frágeis e inseguras se colocando como a resposta para os seus problemas.

Este marketing vem vencendo a batalha a alguns anos de tal forma que mães cantam em coro: “Se não fosse o LA, meu filho estaria passando fome…”

É triste. Muitas destas mães não sabem que seus filhos não morreriam de fome somente com o leite do peito, muito menos se tivessem o apoio dos médicos que os acompanham para incentivá-las a continuar com a amamentação.

Em vez disto, temos uma associação paradoxal entre uma grande indústria que produz alimento artificial infantil e a Sociedade Brasileira de Pediatria. Em vez disto, vemos médicos serem motivo de chacota na internet até mesmo por outros médicos por se comportarem de forma infantilizada experimentando papinhas industrializadas (mãe, a melhor papinha é a que você faz em casa, sem conservantes e químicas), leites artificiais, ora, só faltou uma mamadeira para a cena parecer o crime perfeito contra o aleitamento materno!

E quando tudo isto começou?

“Os responsáveis pela comercialização dos alimentos industrializados para lactentes apresentavam seus produtos como uma alternativa ideal para a mulher urbana, que tinha necessidade de se integrar ao mercado de trabalho.” (Goldemberg. 1988)

Para se ter uma idéia do caos que a indústria causou tentando substituir o leite materno, por volta de 1873 o leite condensado era vendido como alimento infantil onde a mãe o misturava com água ou farinhas lácteas misturadas em água (produtos industriais cheios de açúcar e conservantes) e estes eram considerados alimentos com maior aporte nutricional que o leite materno, um bebê saudável era um bebê gordinho e fofinho (ainda hoje tem mães e médicos que pensam isto, não levando em consideração a genética do bebê que pode sim, ser “mignon”).

Hoje em dia, uma mãe bem informada veria isto com horror.

Mas antes, elas acreditaram. E muitas crianças morreram de desnutrição porque este tipo de alimento de forma alguma tinha todos os nutrientes que um bebê precisa, muitas crianças morreram de diarréia porque a água misturada ao tal leite não era adequada para recém-nascidos, hoje sabemos que água pode ser oferecida apenas depois dos sexto mês de idade.

>> Precisa dar água para bebês amamentados exclusivamente?

A classe médica na época passou a estimular de forma subliminar o consumo de leites artificiais, a única questão que salvava muitas mães deste disparate era o preço dos leites artificiais (olha o mito de quê amamentar é coisa de pobre aqui…).

Ainda hoje vemos médicos desestimulando o aleitamento materno de forma subliminar.

“Se mês que vem o peso não estiver dentro da tabela, teremos que complementar…”
“Esta cansada demais, complementa…”
“Seu bebê chora demais, complementa…”

Entre várias outras estratégias que minam aos poucos a motivação daquela mãe que vai ao consultório em busca de apoio e incentivo. Outras já saem da maternidade com uma receita padrão de leite artificial.

“A indústria lançou mão de campanhas promocionais, com o grande objetivo de influenciar a difusão de informações científicas sobre nutrição do lactente, além de tentar monopolizar e se apropriar do saber médico.” (Goldemberg, 1988)

Propaganda enganosa. Utilização de profissionais de saúde como promotores de venda no ambiente hospitalar e em consultórios, promoção de eventos científicos, entre outras estratégias de marketing eram usadas a décadas atrás para convencer a todos que o leite artificial era melhor ou equiparado ao leite materno.

Isto te parece muito distante? Não, isto acontece ainda hoje. E ainda hoje mães são enganadas.

O papel da mulher na sociedade vem mudando ao longo do tempo. Estas mudanças de representações foram apropriadas pela indústria criando um condicionamento sociocultural que promovia o desmame precoce sempre que uma mãe entrava no mercado de trabalho.

É possível manter a amamentação mesmo voltando ao trabalho, hoje dispomos de informação suficiente para a mãe se planejar em relação a este momento, saiba sobre isto nestes 3 artigos ótimos:

Dados da saúde pública no final da década de 70

A mortalidade infantil era de 88 para 1.000 no país, de 124 por 1.000 no Nordeste, a desnutrição crônica vitimava 48% da população brasileira, o desmame no primeiro mês de vida atingia 54% dos lactentes na cidade de São Paulo e 80% em Recife, 50% dos pediatras prescreviam mamadeira e 90% aconselhavam o uso de água no intervalo das mamadas, 60% das mulheres brasileiras não faziam exame de pré-natal. (Inan,1991)

Diante destes dados houve uma mobilização social em favor da amamentação a partir da década de 80 que perdura até hoje, já que algumas idéias a respeito de qual é o melhor alimento para lactentes ainda parece ser uma dúvida em muitos consultórios médicos e na sociedade.

A indústria se aproveita da falta de informação para lançar mão de estratégias que te faz acreditar que o discurso que ela dissemina é real.

Não caia neste golpe de marketing, fique atenta. Não existe leite melhor para o seu filho do que o seu. Leite artificial serve para emergências, necessidades reais do bebê e não como prática de uso comum e diária, deve ser indicado por um médico (atualizado). É preciso saber avaliar esta necessidade.

E se você tiver problemas em relação a amamentação, busque ajuda profissional e especializada em amamentação. Se cerque de profissionais que apoiam o aleitamento materno.


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