Culpa materna e exigência da perfeição

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Culpa materna e exigência da perfeição
Culpa materna e exigência da perfeição

A culpa materna e exigência da perfeição pelas pessoas que rodeiam as mães, é uma das coisas que mais as entristecem.

A exigência pela perfeição materna é cada vez mais alta, principalmente na internet onde palavras alcançam pessoas do outro lado do mundo sem que os olhos estejam frente a frente e a coragem para agredir e escrever sem pensar qualquer comentário é maior do que a empatia pela dor de outra mãe.

Quando falamos de amamentação esta culpa materna parece ainda maior para as mães que por algum motivo não conseguiram amamentar seus filhos. Elas sentem-se o tempo inteiro julgadas e apontadas, assim como as mães que amamentam sentem o mesmo quando estão do outro lado da história.

Quando uma mãe se coloca no lugar de outra, acaba percebendo que elas compartilham um mesmo sentimento para situações distintas: a culpa.

A culpa materna existe porque muitas mães não se contentam em ser boas mães, querem ser super mães, o que esta acima de suas limitações e de sua condição humana. Se esquecem de pedir a ajuda tão necessária, principalmente nos primeiros meses do bebê. O mesmo acontece na volta ao trabalho, principalmente quando a volta ao trabalho para a mãe é uma motivação pessoal e profissional e não uma necessidade financeira, a culpa materna se instala.

A culpa vem quando o bebê fica doente, ou nasce doente, a mãe acha que algo que fez durante a vida, a gravidez ou durante os cuidados com o bebê foi responsável por isto e se culpa novamente.

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A culpa vem quando a mãe ao pegar seu bebê nos braços não é inundada de uma sentimento imediato de amor e ele só vem depois de uns dias após o parto.

A culpa vem quando o bebê idealizado na gravidez não é o bebê que chora e exige colo constante depois de nascido. Qualquer manifestação de insatisfação no bebê grita no coração da mãe que ela é responsável por isto.

A verdade é que embora a mãe se esforce ao máximo, algum sofrimento é sempre inerente a vida. Eles vão acontecer, mesmo que você dê o seu melhor. As coisas vão desandar em algum momento. O bebê pode ficar doente, talvez terá que ficar aos cuidados de outro que não seja você mesma, sentirá saudades e vai ter que se habituar a nova situação. Todos terão que se adaptarem o tempo inteiro a mudanças prováveis durante a vida e que em alguns casos são saudáveis.

A mãe que não consegue amamentar seu filho sente culpa, lembrando que para uma mãe amamentar, nem sempre seu esforço único e pessoal é suficiente, nem sempre ela querer muito é suficiente. As vezes ela precisa de apoio, incentivo e de ajuda profissional para conseguir e em grande parte dos casos, a falta de sucesso na amamentação de muitas mães esta intimamente ligada a falta de informação e apoio, entre outros aspectos externos que estão fora de seu alcance. Uma mãe que não amamentou desenvolve um grande sentimento de culpa, questionam-se se cumpriram o papel que deveriam e se culpam quando algo acontece com o bebê e sentem que o motivo foi a falta de aleitamento materno.

Se culpar não resolve problema algum, cria um abismo entre as pessoas e de onde quer que qualquer uma olhe, achará que esta sendo injustiçada e culpada.

O conflito interior causado pela culpa torna a mãe infeliz, tensa, nervosa, agressiva. Geralmente uma mãe que se sente muito culpada principalmente por não ter amamentado tende a rejeitar este sentimento e não consegue conviver com ele, a culpa se transforma em rancor e agressividade.

A sede por aprovação e o horror a crítica, as coloca na defensiva e acabam culpando a todos por seus sentimentos internos. Quando esta rejeição da própria culpa se estende para assuntos relacionados a promoção e apoio ao aleitamento materno, quem o faz fica mal visto pela mãe que se sente culpada por não ter amamentado e as chances dos profissionais do aleitamento ajudar esta mãe diminuem.

As redes de apoio são  importantes porque só o fato de conversar com outras mães a respeito dos sentimentos que a maternidade desperta, dá a muitas a oportunidade de resolver este sentimento e de perceber que ela não é a única a vivenciá-lo.

Quando estas mães tem empatia umas pelas outras, fica mais fácil e esta rede de apoio se torna realmente efetiva. Se a culpa for um sentimento que esteja sendo difícil de aceitar e suportar, busque apoio, converse com alguém, coloque este sentimento na mesa e o esmiuce até que ele não seja mais tão ameaçador para você.


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