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Meu filho chorava desesperadamente e era cantar para manter a sanidade ou enlouquecer.

Para uma mãe, enlouquecer é uma coisa que não pode acontecer em hipótese alguma, pois é ali que nossa maternagem consciente morre, ainda que aos poucos. Mas meu filho chorava desesperadamente e isso testou todos os meus limites.

Tudo começou porque eu disse não para ele. Um não que ele vai ouvir muitas e muitas vezes na vida. Melhor nós dois nos prepararmos para essa jornada. Psicologicamente, principalmente.

Eu já falei muitos nãos para ele, eu falo sempre que é preciso. Mas hoje, o não que eu disse o desestruturou completamente. Então, ou eu caia junto ou tentava resolver.

A gente entra na chuva para se molhar, não é mesmo? E de vez em quando acontece que você se encharca. E fica com as botas cheias de água e os pés frios.

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Eu vou contar brevemente para vocês o motivo do mundo ter caído para o meu garotinho de 3 anos.

Nós fomos a padaria e infelizmente tem uma loja de brinquedos no caminho da padaria. Ora, eu preciso ir muitas vezes a padaria e não posso ir tantas vezes a loja de brinquedos, vocês entendem, né? Quando dá eu vou com ele e compramos uma pequena bobagem. Hoje não dava. Não dava. E eu disse que não.

Imagina que isso foi o fim do mundo para ele. E eu tive que trazer um menino de 3 anos no colo por mais de 1 quarteirão se esperneando e gritando, com uma sacola da padaria na mão e uma pipoca que compramos na ida. Não foi fácil.

Em casa os berros duraram mais uns 20 minutos.

Se 5 minutos já quase nos deixa loucas, imagine 20. Ele não se conformou. Ele gritou, se debateu e se jogou no chão. E se você ainda não passou por isso, saiba que um dia você pode passar. Cerca de 99,9% das mães passam por isso.

Eu quase entrei em ebulição. Eu quase pirei. Eu respirei fundo, eu contei até 10. Eu conversei. Eu me abaixei pra falar com ele e expliquei que hoje não dava para comprar brinquedo nenhum e era isso. A vida é assim.

E ele berrava. Era o fim do seu mundo.

Depois de tentar muito acalmá-lo, eu larguei ele no quarto sozinho, encostei a porta e vim para a sala para respirar e ME acalmar. Perdi o primeiro round, precisava de uma pausa. Contei até 10 de novo e repetia como mantra na cabeça:

“Calma, você é a adulta, você precisa manter a calma. Respira.
Isso é só o neocórtex subdesenvolvido dele. O seu já é desenvolvido. Respira. (Saiba sobre isso aqui: Terrible Twos: Será só um chilique?)
Isso é só uma catarse como resposta a frustração, ele não sabe fazer de outro jeito. Sua função é manter a calma e acalmá-lo.”

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Olha, vou contar pra vocês que não é fácil. Não é fácil mesmo! É preciso muita presença de espírito. É preciso muito de nós mães.

Então eu voltei para o quarto. Abaixei de novo, expliquei de novo. Esperei. Chamei pro meu colo e abracei.

Ele topou me abraçar, que vitória! O segundo round eu ganhei!

Então eu cantei. Uma canção de ninar sem letras, somente aquele som peculiar que nós mães sabemos fazer como ninguém. Aquela canção que eu sempre cantei pra ele, desde bebê. E ele começou a se acalmar.

Suspirou no meu colo muitas e muitas vezes até dormir.

Então eu chorei em silêncio copiosamente a falta de ajuda, a solidão materna e o esforço emocional que tive que fazer para me manter em equilíbrio quando o que eu queria mesmo era sair correndo gritando pro mundo que maternidade é isso aí, nada fácil, nada romântico, nada simples e muito complexo. E no final, quem cuida da gente?

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