Sexo: Vamos nos libertar!

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Por que é sempre tão difícil falar sobre sexo? Mais além, por que temos tanta dificuldade em refletir sobre a nossa sexualidade?

Confesso que escrevi, apaguei e recomecei esse post no mínimo quatro vezes, pois embora tivesse toda a linha de raciocínio na minha cabeça e me considerasse “pra frentex” , não conseguia iniciar esse assunto, aquele assunto. O assunto.
E é sobre essa trava, essa vergonhazinha de conversarmos sobre a nossa intimidade que eu gostaria de falar hoje, começando com um trecho do livro As Sessões, escrito pela terapeuta de sexo Cheryl Cohen Greene, que retrata exatamente como ainda vivemos em um mundo de tabus sexuais:
“Apesar do que eu e muitos outros esperávamos nos excitantes dias da revolução sexual, muitos ainda permanecem mistificados com relação ao sexo e ao nosso corpo. O ataque à educação sexual baseada em fatos, realizada por aqueles que desejavam voltar no tempo, e a enxurrada de informações incorretas que obtemos da mídia durante todo o tempo nos confundem mais do que nunca. Contamos piadas sobre sexo, denunciamos o sexo, execramos publicamente pessoas por fazerem sexo inapropriado e, embora eu não seja a primeira a apontar isso, usamos o sexo para vender todo tipo de produto, de chicletes a automóveis esportivos. No entanto, temos muita dificuldade em conversar pública e honestamente, de forma madura e a crítica, sobre o assunto.”
Vivemos em uma sociedade hiper sexualizada, mas ainda não conseguimos tirar dúvidas básicas com o nossa(o) ginecologista, temos vergonha de falar sobre nossas dificuldades sexuais com os nossos médicos, temos medo de parecer frígidas ou estranhas nas conversas com amigas mais incandescentes. É impressionante como ainda, nos modernos dias de 2016, onde as redes sociais e os movimentos feministas gritam informações o tempo todo, falar sobre o nosso dia a dia sexual é cercado por inúmeros obstáculos. Muitas mulheres conhecem pouco dos seus corpos, outras conhecem cada ruga, cada celulite, mas nada sabem das suas zonas erógenas. Em tempos de liberdade sexual, vejo muitas dúvidas, culpas e falta de CONVERSA.
Emboras as meninas estejam se empoderando cada dia mais e quebrando inúmeros tabus, é preciso lembrar que infelizmente, a maioria das mulheres não é tão free mind e descoladona quando o assunto é sexo e muitas mulheres sofrem caladas por muito tempo, sendo que com um pouco de conversa e mudança de atitude é possível ter uma vida sexual mais feliz.
Todos tem direito ao sexo com amor e capaz de satisfazer, e em minha experiência, isso, muitas vezes depende de uma boa comunicação, do autorrespeito e de uma vontade de explorar o assunto.” (Cheryl C. Green, p 16.)
Não é novidade nenhuma que a rotina, os filhos, o cansaço e mais mil motivos são SIM, empecilhos que se acumulam e nos deixam sem ânimo para um agito sob lençóis e é preciso ficar claro que não se pode pensar de forma alguma, que isso seja sinônimo de fracasso da relação ou pessoal. Muitas vezes o relacionamento é ótimo, as pessoas se amam, a vida é boa, mas o sexo está meio de lado, é normal! Mas é preciso detectar essa questão e colocá-la em pauta, afinal sexo é ótimo!
Mas a falta de desejo é encarada na maioria das vezes como uma falha da mulher, um desinteresse…desleixo, muitas vezes, esse sentimento é alimentado pela própria mulher, gerando anseios, inseguranças e sofrimento. Por isso é fundamental que a mulher, QUEIRA SE CONHECER. A sexualidade é um aprendizado diário, um exercício, exige o conhecimento da própria anatomia do corpo e principalmente a liberdade de se entregar em suas fantasias e desejos. Quando se trata de casamento, é fundamental compreender que o sexo não é uma relação de co-dependência ou de vontades unilaterais, mas sim uma relação realmente de intimidade, onde a conversa deve ser franca e onde as dificuldades devem ser debatidas de forma honesta para que se encontre uma solução juntos, pois a felicidade é um interesse comum, não é?
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Não é possível resolver problemas sexuais quando o seu parceiro não faz ideia do que você está pensando e acreditem meninas, na maioria das vezes eles não sabem mesmo!!!! Por isso mulheres, FALEM! Ninguém consegue adivinhar coisas tão profundas! Mesmo em casamentos longos e duradouros, onde hipoteticamente as pessoas se conhecem, acontece do casal não se conhecer tanto assim. O casamento traz consigo uma relação de intimidade onde todos os assuntos são permitidos! Principalmente os que tratam sobre o sexo.
Fomos criadas com um resto de ranço de patriarcado, onde o sexo tem uma imagem suja e repressiva. Mas isso acabou, isso tem que acabar! Lembro que no meu primeiro ano de casada, depois de uma mudança radical para o interior, passei por uma fase muito delicada, me sentia inerte e sem vontade para nada! Talvez tivesse acontecido antes, mas quando você está casada isso aflora de forma mais óbvia. Como não entendia o que estava acontecendo, chorei muitos dias, pois me culpava muito, não tinha nem trinta anos, como era possível estar assim? Mas no meu caso, sempre tive abertura para conversar com o meu marido sobre isso. A sinceridade em detalhes é importante nessas horas. E foi em busca de informação em sites, conversas com outras mulheres, meu médico e muita troca e compreensão do meu marido que as coisas foram se reorganizando.
Nesse processo, descobri esse livro, As Sessões, que eu recomendo muito para todas as mulheres e homens também! Existe o filme, mas ele é focado em um paciente só, ao contrário do livro que fala de diversos casos e traz uma autobiografia da vida dessa mulher fantástica que é a Cheryl C. Green, uma terapeuta sexual fora dos “nossos” padrões. Lendo as experiência dessa terapeuta sexual e relatos sobre pacientes, descobri que a maioria dos problemas são mais comuns do que se imagina e que a sexualidade não é linear, pois são diversos os fatores flutuantes que norteiam (ou desnorteiam) a nossa vida sexual. Mas o principal: aprendi que há solução para tudo, tudo mesmo!
A diversidade dos casos que ela traz são impressionantes e mudaram totalmente a minha visão sobre sexo, pois a gente se baseia muito nas nossas próprias experiências, só no que vivemos, vimos e acreditamos e isso está errado, precisamos olhar para além das fronteiras. Combater o nosso próprio preconceito em falar sobre a nossa sexualidade é o primeiro passo, pois quando a gente destrava a mente, nos abrimos para novas possibilidades. A nossa vida sexual é importante e faz bem pra alma, coração e nem se fala na pele!! Vamos conversar mais meninas, vamos nos libertar!

Veja uma palestra da autora (infelizmente apenas em inglês):


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