Plasil aumenta a produção de leite materno? Riscos do uso de medicamentos

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Plasil aumenta a produção de leite materno

Será mesmo que o uso de Plasil aumenta a produção de leite materno?

Muitas mulheres acreditam que plasil aumenta a produção de leite materno e muitos médicos ainda indicam este medicamento cheio de contra-indicações e efeitos adversos para mães que estão com dificuldades de amamentar.

Eu não indico plasil para aumentar a produção de leite materno. Nenhuma profissional de aleitamento materno pode fazer isto.

Primeiro porque a indicação de medicamentos só pode ser prescrita por médicos (mais ninguém) e segundo porque como profissional de aleitamento materno, sei que é possível na grande maioria dos casos estimular a produção de leite materno sem o uso de medicamentos. Além de, é claro, saber que os efeitos colaterais não compensam o uso.

Mas, a grande questão é se o plasil aumenta a produção de leite materno mesmo.

Considerando que a produção de leite materno se dá através de:

  • Uma resposta do corpo a sucção do bebê,
  • Amamentação em livre demanda,
  • Não usar bicos artificiais,
  • Ausência de disfunção oral (que impediria o estímulo adequado da mama e consequentemente a produção)
  • Ou situações raras que causariam uma baixa produção,

Plasil ou qualquer outro medicamento não são responsáveis pelo aumento da produção do leite materno de forma eficaz e que se mantenha.

Veja como acontece realmente o processo de produção de leite materno aqui: Produção de leite materno: como ela acontece?

O principal efeito colateral da maioria dos medicamentos prescritos para um possível aumento do leite materno é o de aumentar a prolactina, no entanto, este efeito é temporário.

Ainda que haja um pequeno aumento da produção, isto acontece de forma momentânea e se não houver um manejo adequado do aleitamento como mencionado acima, a produção não se mantêm, nem mesmo com o uso de medicamentos.

O uso de medicamentos e qualquer outras ervas ou alimentos que prometem aumentar o leite materno, podem ser, na melhor das hipóteses, um band-aid, cobrindo o problema real, que não é resolvido e pode causar problemas a longo prazo. 

Ervas e qualquer outro alimento não possuem comprovação científica de quê aumentem o leite materno. E chás, ainda possuem riscos no uso, dependendo da erva. Veja aqui: Chá para bebês e mães que amamentam: mitos da amamentação, gestação e riscos 

Ou seja, para quê usar um medicamento que tem um efeito momentâneo, ineficaz e com riscos futuros, se tudo ainda vai depender do manejo adequado da amamentação? Os riscos dos efeitos colaterais em que mãe e bebê ficam expostos, não compensam por tão pouco.

Mas o que é um manejo adequado da amamentação?

Isto significa seguir a listinha do sucesso da amamentação mencionada ali em cima: livre demanda, não usar bicos artificiais (incluindo inserir leite artificial na mamadeira), verificar possíveis problemas que estejam dificultando o aleitamento com profissionais de aleitamento os chamando em casa ou indo até um banco de leite.

É preciso resolver a causa. Trabalhar com o sintoma não faz sentido se a causa da baixa produção de leite materno continuar lá.

O protocolo da Academy of Breastfeeding Medicine no uso de galactogogos diz:

Antes do uso de um galactogogo, deve ser realizada uma avaliação completa de todo o processo da amamentação por um especialista em lactação. Quando a intervenção é indicada para a díade, fatores modificáveis ​​devem ser abordados: conforto e relaxamento para a mãe, freqüência e minuciosidade da remoção do leite e condições médicas subjacentes. A medicação nunca deve substituir avaliação e aconselhamento em fatores modificáveis.

Efeitos adversos do uso de medicamentos que prometem aumentar o leite materno:

1. No bebê:

  • Dificuldades para dormir, choro excessivo, problemas cardíacos, sonolência, irritação.

2. Na mãe:

  • Mal estar, problemas cardíacos, sonolência, tontura, efeitos no humor

Profissionais atualizados de aleitamento não apoiam mais o uso de medicamentos para promover a produção de leite materno.

Somente profissionais que sabem muito pouco sobre a fisiologia da amamentação o fazem, sem pesar os prós e contras.

Mães que não são adotivas (passaram pela gestação e parto do bebê lactente) e que estão com dificuldades no aleitamento podem resolver os problemas da amamentação com apoio adequado, informação e atendimento presencial de profissionais de aleitamento sem precisar usar medicamentos para estabelecer a produção de leite materno.

Se você esta tomando uma medicação indicada para teoricamente aumentar o leite materno e deseja parar de usar o medicamento, consulte seu médico e veja qual a melhor estratégia para deixar de fazer uso do medicamento corretamente, pois estas medicações, depois de um tempo de uso não podem ser descontinuadas de forma abrupta, mas sim em um processo de diminuição lenta.

Mais efeitos adversos de Plasil e outras medicações para possível aumento do leite materno:

A US Food and Drug Administration (FDA) adverte que depressão e discinesia tardia, uma condição que causa tiques, tremores ou movimentos incontroláveis ​​do rosto e do corpo, pode resultar da tomada de metoclopramida (PLASIL) em altas doses durante um longo período de tempo. Em alguns casos, os movimentos involuntários não se resolvem mesmo depois que a medicação é interrompida.

A domperidona, assim como a metoclopramida, também é usada para tratar problemas gástricos. Não está sequer disponível nos Estados Unidos, mas é comumente usado aqui no Brasil e em outros países para estimular a produção de leite materno.

Nos Estados Unidos, a FDA não aprovou a domperidona para qualquer condição. Eles advertem contra o uso deste medicamento para qualquer um, especialmente mulheres que amamentam.

Relatos de problemas cardíacos sérios e morte súbita foram associados ao uso intravenoso desta medicação, por isso o FDA considerou inseguro.

Medicamentos da família dos tranquilizantes e até medicação para pressão arterial são algumas das outras prescrições. No entanto, os efeitos secundários dessas drogas podem ser muito perigosos. Os riscos que esses medicamentos representam para as mães lactantes superam os benefícios, portanto não são usados ​​para melhorar o suprimento de leite.

Vivemos em uma sociedade imediatista e que anseia por soluções rápidas, tudo mastigado e ao pé da letra. É tentador sugerir e usar coisas que nos darão resultados rápidos. Mas isso, prejudica a confiança das mães em sua capacidade de amamentar além de possuirem riscos para sua saúde e a do bebê.

É possível reforçar a noção de que a amamentação é a maneira mais normal de alimentar um bebê e que para isto acontecer não é necessário muito. No geral, precisamos de um pouco mais de confiança em nossos corpos e um pouco menos de confiança nas intervenções.

Veja aqui como ter uma boa produção de leite materno:

Referências:

American Academy of Pediatrics. New Mother’s Guide To Breastfeeding. Bantam Books. New York. 2011.
Lawrence, Ruth A., MD, Lawrence, Robert M., MD. Breastfeeding A Guide For The Medical Profession Sixth Edition.  Mosby. Philadelphia. 2005.
Newman, Jack, MD, Pitman, Theresa. The Ultimate Breastfeeding Book of Answers. Three Rivers Press. New York. 2006.
U.S. Food and Drug Administration. Domperidone. U.S. Department of Health and Human Services. June 19, 2009. Accessed January 7, 2017: http://www.fda.gov/Safety/MedWatch/SafetyInformation/SafetyAlertsforHumanMedicalProducts/ucm154914.htm
U.S. Food and Drug Administration. FDA Talk Paper: FDA Warns Against Women Using Unapproved Drug, Domperidone, To Increase Milk Production. U.S. Department of Health and Human Services. July 28, 2009. Accessed January 7, 2018: http://www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/InformationbyDrugClass/ucm173886.htm

 


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