Fases da maternidade e adaptação dos pais

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Fases da maternidade
Fases da maternidade

Quem tem filho em casa já sabe que as fases da maternidade requer adaptação.

As fases da criança são bem características, o pequeno ser em formação quer descobrir o mundo e isso ocorre inicialmente através da fase da experimentação oral, aonde tudo que é visto vai direto para a boca, pensando nisso a imagem que representa os pais nessa fase é uma figura descabelada com carinha assustada correndo na frente e recolhendo tudo que pode oferecer algum tipo de risco para a criança.

Quando começam a se soltar para aprender a caminhar os pais figuram como os incentivadores, perfeitamente identificáveis pela imagem dos pais de braços estendidos com sorriso no rosto dizendo: Vem! Eu te ajudo! Você consegue! Depois disso, vem à fase em que as crianças são movidas pelo toque/ tato, querem pegar tudo o que esta e o que não está ao alcance, e nessa época surge a fase de impor limites que é conhecida como a fase do “nãoooo”! E a imagem associada aos pais é a de reprovação!

Se repararmos bem, no primeiro não que dizemos às crianças, elas nos olham de forma surpresa e param, porque o “não” sozinho não traz os motivos.

Nos seguintes, nos testam ameaçando ir e um tempo depois a grande maioria delas ouve o não, olha pra quem o proferiu e segue ignorando quem a repreendeu, algumas vezes sorrindo, e este enfrentamento soa como brincadeira, mas na verdade é um teste pra ver até aonde os pais mantém a negativa.

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A reflexão que fica é: a vida nos exige que digamos não! Mas quantos “nãos” dizemos aos nossos filhos sem dar o porquê? E esse “não” sem alternativas ou sem justificativas, muitas vezes não surte efeitos, já que a criança não entende o que queremos transmitir com ele.

E o que dizer para justificar situações ou perguntas que surgem da inocência de uma criança? A verdade é que muitas vezes achamos que a justificativa dada deve ser armazenada, tanto que é comum ouvir os pais dizendo: eu já disse que ali é perigoso!

Quantas vezes é preciso repetir que você não pode subir escada? Dentre tantas outras frases que podiam ser citadas de exemplo.

Às vezes, nossas respostas são formuladas com um único objetivo de não deixá-los sem resposta, mas na verdade não conseguimos esclarecer o que foi perguntado. E em outras vezes criamos aquela tese cheia de rodeios e argumentos, pois mesmo na saia justa não queremos demonstrar nossa dúvida sobre o que dizer, afinal a pergunta nunca havia sequer nos passado pela cabeça e a criança deseja uma resposta, se titubearmos, lá vem: hein mãe, responde!?

Certo dia, ajudando meu filho a colocar seus bonecos de pelúcia para dormir, cantando a cantiga de ninar muito antiga e conhecida: “nana neném, que a cuca vem pegar, papai foi pra roça, mamãe foi trabalhar”, meu filho me olhou sério e disse: mãe se o pai da criança vai pra roça e a mãe vai trabalhar o neném vai ficar com quem?

Eu que pra falar a verdade cantei aquela canção sem sequer me atentar ao conteúdo que expressava, olhei pra ele e na hora respondi: é só uma musiquinha, assim como a Cuca não existe, também não existem pais que saem pra trabalhar e deixam os filhos sozinhos.

Com cara de aprovação ele me respondeu: ainda bem, porque você sempre disse que criança não pode ficar em casa sozinha!

Por essas e outras, percebemos que as fases evoluem e precisamos nos adaptar a elas. Cada vez que surge um não ou uma pergunta temos que estar atentas as justificativas e respostas que vamos dar, pois para eles o que dissermos é a verdade absoluta e servirá de paradigma para atitudes e decisões que tomarão dali por diante.

Parece precoce que uma criança de três ou quatro anos saiba associar os ensinamentos com as situações do cotidiano, mas da maneira que nossas crianças evoluem, todo cuidado é pouco naquilo que formos falar, muitas vezes sem pensar, quando as perguntas forem feitas e nos caberá respondê-las.

Entre evoluções, perguntas e respostas, a maternidade merece ser vivida e acompanhada de perto em cada fase. A adaptação e a doação em cada uma delas são importantes para o desenvolvimento da criança e para o nosso aprimoramento, não só como pais, mas como seres humanos que servem de exemplo para as futuras gerações.


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