Evitando comparações e respeitando as diferenças

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evitando comparações
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Viver uma maternidade plena, evitando comparações e respeitando as diferenças entre as crianças, é um exercício diário e constante na vida da mulher.

Quando se tem filhos talvez o maior erro que cometemos e que enfrentamos na nossa inexperiência materna é o da comparação. Atualmente é notório que grande parte das mulheres se preparam e muito para a maternidade.  Quando estamos na gestação  nos sentimos em condições de encarar qualquer desafio, porém, vamos mudando de opinião a partir do momento que saímos do hospital com um filho nos braços aonde estávamos seguras com a equipe médica e de enfermagem e vamos pra casa sozinhas.

O termo “sozinha” não significa a falta de amparo familiar, ou do pai da criança que muitas vezes é o braço direito da mulher, mas quer dizer mais do isso, quer dizer aqui, demonstrar aquele sentimento de insegurança que vai chegando aos poucos e tomando conta da gente de uma maneira que nos faz pensar que temos que esquecer do “eu” para vivermos o “nós”.

Estamos com uma criança nos braços totalmente indefesa, que expressa seus sentimentos e sensações por movimentos e choro, choro esse que muitas vezes desperta na mãe inexperiente uma espécie de ansiedade, de no começo não saber o motivo, que vai desde a tremedeira até a angústia que nos faz ter vontade de sentar e chorar junto, por algumas vezes.

Esses sintomas não são experimentados somente por quem está depressiva, são sintomas iniciais que muitas vivem e que em poucos dias é superado.

O cansaço, as dores no corpo, a barriga ainda inchada precisam ser esquecidos, pois o bebê esta chorando de fome e precisamos amamenta-lo e ai vem mais uma etapa de superação. A tal amamentação, nos traz a comparação com as campanhas da mídia, onde  parece ser algo instintivo e natural  quando na vida real é um ato de muita força de vontade e persistência.

São pequenas dificuldades que se juntam, o modo de segurar o bebê que no começo é tão pequeno, a pega correta na mama, isso sem contar que quando parece estar tudo perfeito o bebê insiste em querer mamar só em um dos lados. Mas o bom disso é que depois de adaptados, mãe e filho, tudo se torna natural e tranquilo.

Mas o tempo passa, a licença maternidade acaba e chega a hora de deixar o pequeno com alguém e voltar ao trabalho. Neste momento, já sofremos por antecedência, já pensamos, repensamos, temos vontade de largar tudo, mas depois voltamos atrás e decidimos superar mais esta fase, embora nos martele a comparação com aquela mãe que deixou sua vida de lado e curtiu a maternidade como estilo de vida.

Passada a fase da amamentação exclusiva entra a de inserir frutas e alimentos, alguns vão pelo antigo método da papinha amassada ou das frutas raspadinhas e outros pelo BLW que seria o desmame guiado pelo bebê através dos alimentos em pedaços.

E o que essa fase assim como todas as fases tem em comum? A comparação!

Aquela que diz que a beltrana alimenta o filho de determinada maneira e que por isso ele esta maior e mais encorpado, quando é sabido que raspada ou em pedaços o que importa é que a criança se alimente, que o tamanho da criança vem da genética e quem nem sempre os maiores são os mais desenvolvidos.

Aquela que diz que a fulana além de amamentar dava água ou chá para o filho enquanto que sabemos que até os seis meses a recomendação é a amamentação exclusiva, que contém tudo que a criança necessita.

Aquela que diz que  os filhos não devem ser colocados em escolas ou creches porque vão adoecer mais facilmente e que a ciclana ficou m casa com o filho que nunca adoeceu.

Enfim, vamos nos sentindo encurraladas pelas comparações feitas que muitas vezes querem colocar a prova a nossa resistência e a nossa firmeza em  conceitos e posições.

Não podemos cair na cilada da comparação, de quem sentou antes, andou antes, falou antes e por ai vai, mesmo que nossos filhos no comparativo estejam com o saldo positivo,  pois de forma involuntária estamos diminuindo o filho do outro. Claro que a troca de experiência entre mães é algo maravilhoso e que na dose certa só vem a acrescentar, mas não pode servir de parâmetro do que é correto ou não ou do que é ideal ou não.

De todas as mulheres que foram ou serão mães cada uma terá seu estilo de vida, suas opiniões, seus conceitos e cada criança terá o seu tempo de desenvolvimento, nada é estático quando o assunto é desenvolvimento  e os parâmetros servem de orientação do que a criança esta preparada para fazer em determinada etapa do crescimento.

Por isso, se uma criança andou um mês antes que a outra ou se levou dois meses a mais para falar a variação pode ser unicamente por uma delas ser mais estimulada que a outra, mas nada tem a ver  com problemas de desenvolvimento, bem como, a mãe ficar com o filho em tempo integral ou trabalhar fora também não serve para torna-la melhor ou pior mãe.

A maternidade deve ser encarada com leveza,  e o respeito aos avanços e dificuldades enfrentados por mães e filhos deve prevalecer acima de qualquer conceito seja ele idealizado ou imposto.

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