Dentro de toda mãe, ainda existe uma mulher

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Dentro de toda mãe, ainda existe uma mulher

Uma mãe não é somente uma mãe, pois dentro dela ainda existe uma mulher.

Sim! Ela ainda existe dentro de nós! Um dos maiores desafios da maternidade é separar todas as pessoas e funções que possam coexistir no corpo de uma mulher nesse período (eterno) materno. Digo isso porque por um momento, todos os nossos “eus” se fundem na figura emblemática de mãe, é claro que não acontece com todas, mas comigo foi assim principalmente nessa segunda gravidez.

Existe um limite muito tênue que separa o cansaço de mãe e a perda da nossa vaidade, sendo que nesse quesito é preciso entender claramente que a vaidade pode ter muitas faces. Existe uma vaidade que as mães perdem e que não está interligada com o amor próprio ou a auto-estima, na verdade ela está mais ligada a uma preguiça cansada.

Por muito tempo somos soterradas por um estado de vigília permanente e uma disponibilidade total às demandas dos nossos pequenos e pouco a pouco, rotinas simples como a de pentear o cabelo vão sendo abandonadas e perdendo a importância, pois nada que um xampu à seco, um rabo de cavalo rápido ou um coquinho desajeitado não disfarcem, mas bem no fundo a gente sabe e não fica satisfeita…até que chega a um ponto que não nos importamos mais. A gente vai sofrendo diversos picos de falta de energia, os quais nos fazem trocar qualquer passadinha de hidratante no rosto por um minuto de chuveiro a mais “fazendo nada”.

Constatei nas últimas semanas após uma estafa física e emocional, que muito além das minhas noites meio dormidas, a minha falta de energia vinha de um ciclo vicioso (e muito cansado) de perda de pequenas vaidades, além do mais já passei da fase do bebê pequeno, o meu filhote está com um ano e meio e já tem um certa “independência dos bebês”. Porque a gente já se conhece bem, ele expressa claramente o que quer, enfim, não há mais aquela angústia dos choros inominados, só temos ainda noites incompletas, todo o resto é fofurice e risadas bochechudas.

Razão pela qual, após a minha crise de esgotamento, precisei colocar friamente na balança todos os fatores e nessa reflexão, juntamente com bela olhada no espelho ciente do meu desleixo dos últimos meses e bombardeada pelos milhões de corações do dia dos namorados, ficou evidentemente claro e límpido que era hora (mais do que a hora) de rever a minha vaidade.

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Friso que muito longe das imposições estéticas de barriga chapada e zero celulites, sou uma pessoinha bem normal e que engordou e perdeu 20 quilos entre o processo de gestação e os dias atuais, que deixaram um quadro de flacidez corpórea e um closet cheio de roupas que não me caem bem, ou que eram de outras pessoas.

Sendo assim, a minha vaidade precisa ser recuperada em pequenas doses de rotinas que eu quero readequar no meu dia a dia. Por trabalhar em casa, o desafio fica ainda mais emocionante, pois preciso resistir a ideia de que viver em regime de “caverna”, não significa andar descabelada e de pijama ou combinações de roupas esquisitíssimas o dia todo. E ainda tem esse friooooo!

Recuperar a minha vaidade deverá ultrapassar todos os frios, cansaços, desculpas e preguiças, porque todos esses detalhes já nos deixam mais pra baixo e andar como uma mendiga dia após dias, somente nos deixa mais sem energia e cada vez mais engolidas pelo desleixo. Para mim, esse ciclo não serve mais, pois é óbvio que não me faz bem e acredito que não faça bem para ninguém.
No último post que escrevi para o Woman’s Lounge prometi notícias de um bebê que dormisse a noite toda e uma receita de suco energizante. Pois bem, o sono do bebê permanece picado e eu não tomei o suco, mas tenho uma resolução: o meu eu-mãe e o meu eu-mulher precisam coexistir!
É claro que recuperar a minha vaidade não é a única providência necessária para que cada pessoa-função dentro de mim vivam em paz, mas o que eu sei é que hoje de cabelo penteado e batonzinho eu já me senti mil vezes melhor, mais disposta, mais bonita e o beijo de até logo que dei no meu marido foi diferente. Precisamos nos cuidar, pois a maternidade demanda realmente muito, mas a gente não pode sublimar o todo o nosso “eu” dentro de uma única função, uma vez que ser mãe não é a única faceta de seres tão plurais como nós mulheres. Let´s go girls!


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