Comer placenta após o parto, como assim?

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Comer placenta após o parto

Você já deve ter visto o papo sobre comer placenta após o parto, não é mesmo?

Recentemente a internet foi e continua indo a loucura porque Bela Gil afirmou que comer placenta após o parto é benéfico. Possui nutrientes e que ela o fez depois que seu segundo filho nasceu, além de ter oferecido a filha mais velha.

Os que tem um estilo de vida mais natural e seguem Bela Gil acreditam que comer placenta após o parto realmente pode ser benéfico a saúde, no entanto, a reação da maioria das pessoas é de sentir nojo ou achar inusitado.

Eu quero falar sobre isto. Eu não comeria minha placenta em hipótese alguma, nem mesmo com pesquisas científicas apontando os benefícios sobre o corpo no período do pós parto porque acredito que existem muitas outras formas de nos sentirmos fortalecidas no puerpério além desta, não?

Você pode substituir comer sua placenta para recuperar as energias, por: apoio, uma boa e equilibrada alimentação, sossego e uma lua de leite tranquila, por exemplo.

Veja o que já escrevi sobre a lua de leite aqui: Lua de leite: conexão entre mãe e bebê

Além de tudo, algo me incomoda ao extremo neste assunto e que a dias vem me cutucando: Comer placenta não aumenta o leite materno. Como andei lendo por aí.

Gente do céu, a mais de 2 anos eu tento desmitificar neste portal mitos que fazem mães fazerem loucuras para aumentar seu leite e mostrar como elas conseguem ter uma boa produção de leite para, de repente, surgir mais um mito em torno do leite materno.

Quer uma receita mais simples para aumentar seu leite materno? Aqui ó, não tem placenta nesta receita: Como aumentar o leite materno.

A Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) desaprova comer placenta após o parto.

O presidente da Comissão de Parto da entidade, João Steibel, diz que não há nenhum estudo científico que comprove o valor nutritivo da placenta a não ser para o bebê, dentro do corpo da mãe.

Ele explica que não há como sugerir uma técnica quando não há comprovação da eficácia dela. Esse tipo de procedimento é utilizado em alguns lugares da China, Estados Unidos e Europa, mas no Brasil, não se tem evidencia dos benefícios em ingerir a placenta.

“Somos absolutamente contrários. Só trabalhamos com evidência científica, não há teste, nenhuma evidência da eficácia disso. Se uma paciente perguntar “posso usar?”, eu vou dizer “não pode”, não há nenhuma comprovação científica, portanto, não tem como saber se faz bem ou mal”, explica Dr. João Steibel.

Como muitos assuntos e métodos sem comprovação científica, ao que parece, é mais um comportamento sócio-cultural e tendência do que uma medida que justifique a melhora da saúde. Claro que os mamíferos comem suas placentas quando dão cria, mas geralmente é para espantar possíveis predadores com o cheiro de sangue que a placenta pode gerar no ambiente hostil em que vivem, não é nosso caso.

Se você é adepta da placentofagia e acredita nos benefícios, não estou aqui para te dizer para não fazer, mas para que antes de seguir uma onda, pesquise bastante a respeito dela e se pergunte o real motivo da atitude. Se ainda assim você decidir que vai comer sua placenta após o parto, será uma decisão consciente sua.

Você pode substituir comer sua placenta após o parto por plantar ela junto a uma árvore, por exemplo. Algumas mães fazem, se sentem melhor assim e e se isto de alguma forma fizer com que elas se sintam melhores no pós-parto, porque não? Veja mais sobre o pós-parto aqui: 10 verdades sobre o pós-parto.

Se você tiver algum estudo científico sério que justifique a prática, compartilha o link nos comentários, ok? Eu ressalto o “sério” porque estamos cheios de estudos científicos por aí, que atendem apenas os objetivos de indústrias, então nem todos devem ser considerados. Não é estranho, se por acaso existir estudos sobre isso ligados as mesmas pessoas que transformam a placenta em cápsulas para consumo materno? Quem realmente lucra com isto? Bom, já existem empresas cuidando da sua placenta para torná-la cápsulas para consumo.

Segundo a BBC Brasil:

Um estudo feito na Faculdade de Medicina de Northwestern, em Chicago, analisou dez pesquisas sobre o tema publicadas recentemente e disse não ter encontrado evidências de que o consumo de placenta ofereça proteção contra depressão pós-parto, ou que reduza dores, dê mais energia, ajude na amamentação, promova a elasticidade da pele, auxilie no vínculo entre mãe e bebê nem tampouco seja fonte de ferro para a mãe, como muitos acreditavam.

 

 


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