A triste realidade dos chocolates e a páscoa

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A triste realidade dos chocolates e a páscoa
A triste realidade dos chocolates e a páscoa

Todo ano o assunto vem a tona, sobre o quanto ovos de páscoa são caros, mas poucos se dão contam sobre a triste realidade dos chocolates e a páscoa no aumento do uso de trabalho escravo infantil.

De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Tulane, para as grandes empresas do chocolate, na Costa do Marfim, mais de 4.000 crianças estão em condições de trabalho forçado para a produção de cacau. Algumas crianças são vendidas para traficantes pelos seus pais desesperados por causa da pobreza, enquanto outras são sequestradas. Os comerciantes de escravos, vendem as crianças para os donos das plantações de cacau. E as gigantes da alimentação fecham completamente seus olhos a respeito deste grave problema de seus fornecedores, fingem que não veem e continuam comprando de fornecedores que usam mão de obra infantil escrava.

Em 2001, a FDA (órgão governamental dos Estados Unidos) tentou aprovar um projeto de lei que obrigaria que as empresas usassem o rótulo “Slave Free” (livre de trabalho escravo) como garantia de que seus chocolates não eram produzidos com a exploração de trabalho infantil, mas as empresas multinacionais se opuseram a esta exigência, barrando o projeto com propina e promessas de que não utilizariam trabalho escravo infantil até 2005 e o projeto de lei foi adiado para 2020. O que ocorre é que durante este período, de 2001 para os dias atuais, o número de crianças que trabalham no setor do cacau aumentou em 51%.

O que acontece quando você compra um chocolate de uma empresa que utiliza trabalho escravo infantil?

Você ajuda esta empresa a continuar lucrando com o seu produto, que por sua vez, a mantêm em plena saúde financeira e ao mesmo tempo, esta empresa, em vez de usar seus recursos para combater o trabalho escravo infantil, continua comprando de fornecedores que usam crianças como escravas para lucrar cada vez mais.

Quando a empresa, compra destes fornecedores, ela é conivente com este crime e ajuda a manter o problema, assim, os fornecedores continuam lucrando também e continuam explorando crianças. Vira um ciclo, onde consumir um produto, ajuda a escravizar crianças.

O que isto tem a ver com a páscoa?

Muito. Esta é uma época do ano em quê o consumo de chocolate e ovos de páscoa aumentam consideravelmente e as pessoas estão mais sujeitas a comprar sem pensar muito no quê e por quê estão comprando, aumentando cada vez mais o lucro de empresas que usam trabalho escravo infantil. Por isso, nesta páscoa, seja consciente sobre o seu consumo. Eu poderia dizer para quê você compre chocolates de “pequenos negócios”, porém, será que estes pequenos negócios não estão usando algumas das marcas que usam trabalho escravo infantil para produzirem seu produto? Na dúvida, não compre.

O que você pode fazer para mudar esta realidade?

Não ser conivente com este horrível crime. Se você deixar de comprar das empresas que usam este tipo de trabalho, ainda que você seja uma só, será um lucro a menos para a empresa. Se você divulgar para o máximo de pessoas tudo que estas empresas fazem e explicar (como eu estou fazendo agora), porque não devemos consumir estes produtos, outras pessoas saberão e haverá um tempo em quê o lucro da empresa irá diminuir cada vez mais, pois ela tem uma imagem negativa, sua saúde financeira começara a ser prejudicada e a empresa irá “pesquisar” porque isto acontece. Quando a empresa descobrir que as pessoas não compram dela porque ela utiliza mão de obra escrava infantil, ela tentará mudar esta realidade de seus fornecedores para melhorar sua imagem (já que é a única coisa que importa para ela) ou irá falir.

A idéia parece utópica, mas se não começarmos de algum lugar, nunca sairemos de onde estamos. Juntos somos mais fortes. Espalhe a notícia.

Veja a lista das empresas que usam mão de obra infantil escrava:

  1. Hershey
  2. Mars
  3. Nestle
  4. ADM cocoa
  5. Guittard Chocolate Company
  6. Godiva
  7. Fowler’s Chocolate
  8. Kraft

A US Uncut também publicou uma lista das empresas de chocolate que decidiram evitar a exploração do trabalho infantil:

  1. Clif Bar
  2. Green and Black’s
  3. Koppers Chocolate
  4. L.A. Burdick Chocolates
  5. Denman Island Chocolate
  6. Gardners Candie
  7. Montezuma’s Chocolates
  8. Newman’s Own Organics
  9. Kailua Candy Company
  10. Omanhene Cocoa Bean Company
  11. Rapunzel Pure Organics
  12. The Endangered Species Chocolate Company
  13. Cloud Nine

E veja algumas marcas brasileiras que se dizem comprometidas com a causa e não usam trabalho escravo infantil:

  1. Sicao
  2. Harold

Assista o documentárioThe Dark Side of Chocolate”  que explica a respeito deste grave problema que enfrentamos e entenda como comprar destas empresas prejudica nossas crianças. No documentário uma das crianças libertadas fala sobre o “preço” do chocolate: “Vocês desfrutam de algo que foi feito com o meu sofrimento. Trabalhei duro para eles, sem nenhum benefício. Estão comendo a minha carne”.

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