5 coisas que meu filho quer que eu perceba

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5 coisas que meu filho quer que eu perceba
5 coisas que meu filho quer que eu perceba

Eu e o meu filho mais velho de 12 anos dividimos muitas tardes juntos, todos os dias assim que termina as lições de casa no quarto dele, o menino se muda para o nosso escritório colaborativo.

Enquanto eu trabalho na minha escrivaninha, ele trabalha na dele estrategicamente disposta ao meu lado, onde grava vídeos e os edita para o seu canal no Youtube com a seriedade e foco de um super profissional. Eu poderia descrever longamente as nossas deliciosas tardes compartilhadas de forma detalhada, mas hoje vou focar somente em dois detalhes:

  1. Primeiramente é que ele é com certeza o melhor colega de escritório que já tive na vida, não há competição, ele respeita o silêncio e os limites, a conversa é boa e a hora do lanche é sempre cheia de coisas gostosas.
  2. E o segundo ponto é a minha percepção sobre como trabalhar juntos nos deixou ainda mais próximos, muito próximos, talvez uma raridade nessas breves relações entre os pais e os adolescentes.

E uma das coisas mais legais disso tudo é que discutimos muito sobre as nossas pautas de trabalho, eu ajudando na produção dos vídeos e ele com palpites e opiniões extremamente genuínas sobre os meus textos e nesse ping pong de assuntos, resolvi pedir para que escrevesse 5 coisas que ele gostaria que eu percebesse melhor e o resultado é essa lista:

1- Deixar eu terminar as frases.

Não pude negar. Sim, preciso ouvir mais e interromper menos. Ahh!! que exercício feroz, o de não atropelar as crianças terminando as frases por elas e supondo coisas diversas, sem deixar os filhos nem respirarem! Se identifica? Eu tb… e o que eu percebi é que de fato, quanto mais a gente passa de trator por cima da linha de raciocínio dos filhos, com o tempo eles vão ficando com preguiça de falar com a gente, principalmente contar as coisas. Aliás…quem aguenta conversar com gente que interrompe o tempo todo?!

2- Saber que vou fazer as coisas.

E realmente faz em 99% das vezes, mas não consigo deixar de checar se as bocas do fogão estão devidamente fechadas ou se o dente está bem escovadinho… Faço uma mea culpa.

3- Entender o que eu falo.

E ai entramos na questão fundamental entre pais e filhos. Acredito que a nossa relação com os filhos deve ser uma via de mão dupla, pois nós os adultos, temos uma falsa impressão de que a nossa prole interpreta e entende, tudo com os mesmos olhos que nós enxergamos a vida e isso é um grande equívoco!
Nesse ponto sempre me lembro da minha relação com os meus pais, onde muitas vezes estávamos dizendo e querendo as mesma coisas, mas não conseguíamos compreender os métodos e interpretações de cada um e então falávamos em línguas diferentes. Mais uma vez…precisamos ouvir mais, mas principalmente melhor. Dialogo é fundamental!

4- Me deixar ser mais independente (nem sempre).

Nesse quesito, acredito que os passos vão sendo dados conforme a firmeza das pernas. No melhor estilo referência que eles entendem, uso a frase clássica do Tio Ben do Homem-aranha: “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades!”. Mas fico imensamente feliz que ele tenha tido a percepção do nem sempre, achei uma graça!

5- Não consegui pensar na última.

Veja a lista:

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Confesso que fiquei aliviada por ter sobrado um ponto e não faltado, pois pedi somente cinco coisas, mas a gente nunca sabe né… e por via das dúvidas o melhor é perguntar. A gente já supõe coisas em demasia. Todavia recomendo o exercício da lista, pois às vezes nós nos engrandecemos demais em relação aos filhos e isso os deixa travados para falar sobre coisas, que nós realmente precisamos ouvir.

Conversar de forma franca, calma e aberta, mas aberta mesmo, nada daquele papo de “na casa do meu pai era blábláblá”, até porque é a sua casa e os seus filhos, estamos ai para evoluir junto com eles, como pessoas e como família.

Mas não é raro vermos muitos filhos que passaram a vida reclamando dos métodos dos pais, se portando em um comportamento totalmente memético, repetindo com os seus filhos, as mesmas coisas que abominavam nos pais e isso não é educar, mas projetar e transferir as cicatrizes. Não é saudável.
Nós precisamos entender que às vezes o abismo da relação entre os pais e os filhos depende muito mais da nossa abertura do que da deles, muitas vezes achamos os nossos filhos fechados, mas em contra partida pouco abrimos espaço para realmente ouvi-los. Ou muitas vezes, pouco nos esforçamos para aprender sobre os assuntos do interesse deles, precisamos balancear essa questão e conhecê-los melhor!
Acredito que educar os filhos é como se estivéssemos em uma eterna peregrinação, onde cada vez que nos acostumamos com o ritmo da caminhada, a estrada muda e chove, isso quando não aparece um cachorro correndo atrás! Não há uma apostila ou um método único, não existe uma fórmula exata de educar, mas de uma coisa eu tenho certeza, nós mães e pais temos o dever de nos observar e nos auto analisarmos sempre em busca da nossa melhor versão, mas principalmente para que a gente nunca perca a verdadeira conexão com os nossos filhos em virtude de uma desatenção com os nossos próprios atos. E isso tudo sem esquecer o único ingrediente fundamental e insubstituível, o amor! E ai, quem mais topa fazer esse exercício?

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