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Todo bebê precisa de colo e não é preciso ter medo de dar o colo tão importante e que traz tantos benefícios.

Colo, carinho, afeto, criação com apego e principalmente respeito pelas necessidades dos bebês. É sempre bom lembrar da importância da empatia. Do quanto se colocar no lugar do bebê para resolver possíveis conflitos diários e recorrentes pode facilitar muito a vida de todos. Do bebê, da mãe e da família inteira.

Na sociedade existem certas “regrinhas” de conduta criadas, principalmente quando se trata de lidar com bebês e crianças e que fazem uma grande maioria de pessoas seguirem cegamente sem ao menos questionar e pensar nas razões e consequências que estas regras podem causar.

A primeira coisa a se pensar e que parece que muitos se esquecem em alguns momentos é que um bebê é um ser humano com sentimentos.

Ele fica entediado, frustrado, cansado, irritado, mal humorado como qualquer outro ser humano. Tem seus dias bons e tem seus dias ruins. Só de pensar por este ângulo, já dá para ter um mínimo de noção da importância de se respeitar essas diferenças de humor e principalmente a personalidade do bebê.

 

Alguns acreditam fielmente que um bebê pode ser condicionado e treinado para não chorar e a não querer colo.

Vou te contar uma coisa sobre a palavra treinamento: significa adestrar para uma determinada atividade. Animais atendem a um treinamento por ração porque passam muito tempo com fome e é o que lhes resta fazer para receber a comida.

Atletas fazem isto para competir por um prêmio. Profissionais fazem isto para aprender determinada função e ganhar seu salário. Bebês respondem a um treinamento. Param de chorar no berço quando são deixados lá por muito tempo chorando porque se conformar com o abandono é o que lhes resta fazer. Exatamente.

A sensação que um bebê tem quando é deixado no berço chorando para teoricamente “aprender” a não querer colo é a de abandono.

É a sensação de não poder contar com a única pessoa que ele conhece e precisa neste momento, sua mãe.

Dar colo, atender as necessidades, dar carinho e calor é também se conectar.

Alguém aí não gosta de nada disto? Todos gostamos de ter nossas necessidades atendidas quando não somos capazes de fazê-las nós mesmos (qualquer um que ficou de cama por um tempo sabe bem o quanto isto é importante). Todos gostamos de receber carinho, de sentir o calor de um outro ser humano que nos ama nos abraçando e acolhendo, gostamos de sentir que estamos conectados com aquela pessoa e que podemos contar com ela sempre que precisarmos.

Qualquer um que não tenha nada disto se sente sozinho, frustrado e triste. Um bebê percebe o amor através do toque.

Qual o problema de se acostumar em receber amor?

Existe mesmo algum mal em demonstrar a um bebê através do colo, da atenção e do toque que o amamos? “Ahhh mas aí o bebê vai querer colo o tempo inteiro”. Sim, minha amiga. A maioria dos bebês querem colo o tempo inteiro. Existe um motivo para isto e este motivo se chama “exterogestação” que é um período de adaptação do bebê ao mundo externo após o nascimento que dura basicamente até os 4 meses de vida.

Significa em teoria que o bebê humano nasce imaturo demais e o cérebro dele continua seu desenvolvimento fora do útero da mãe e durante este período ele precisa de ajuda para se adaptar ao mundo externo e se acalmar.

A maioria das mães conseguem isto com mais efeito quando estão com os seus bebês no colo, usando slings e carregadores de bebês ergonômicos (com excessão do canguru comum que não é ergonômico e pode prejudicar o desenvolvimento físico do bebê).

Vamos pensar no útero, onde o bebê viveu os primeiros nove meses de vida, um ambiente quentinho, onde ele estava envolvido e aquecido com a temperatura do corpo de sua mãe sendo balançado constantemente com a movimentação da mãe.

De repente ele nasce e tudo muda. Ele precisa se adaptar a esta nova realidade e o colo da mãe pode reproduzir em partes um pouco do antigo ambiente em que ele vivia. No colo materno o bebê tem o calor do corpo que ele conhece, ouve os batimentos do coração de sua mãe, os mesmos que ele ouvia no útero e tem a sensação de movimentação igual a que ele tinha quando sua mãe se movimenta. Lembranças de um passado não tão distante e acolhedor que o fazem se sentir mais seguro e calmo. Dá para negar isto a um filho? Acho que não. Ele vai precisar de tempo para se habituar a nova realidade e o que você acha que trará os melhores resultados? Colo, calor e conexão é a resposta.

Quando aprende a engatinhar, andar, correr…saiba que ele raramente vai te pedir colo.

Vai te pedir colo quando ele estiver se sentindo inseguro, cansado, com fome, angustiado ou triste ou simplesmente quando estiver com vontade de correr para o colo da mamãe por um simples abraço, aconchego, carinho, cheirinho.

Na maior parte do tempo o bebê andante vai querer explorar o mundo. Ele não vai ficar no seu colo o tempo inteiro quando ele já sabe andar porque a partir deste momento a própria natureza do desenvolvimento dele irá convidá-lo a explorar.

Se “acostumar” a receber amor é bom.

Significa que este bebê vai crescer e vai saber escolher na vida estar apenas com pessoas que tenham amor para lhe dar, vai saber evitar relações onde seus sentimentos não são respeitados e vai sobretudo, saber dar a outras pessoas o que recebeu quando tinha suas necessidades mais básicas atendidas e seus sentimentos levados em consideração. E quando já adulto, ele precisar de colo, aconchego, amor e carinho, ele vai procurar aquela que sempre lhe deu isto: sua mãe.

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