Relato de desmame gentil: uma nova história começa

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Relato de desmame gentil

Faz algum tempo que estou ansiosa para fazer meu relato de desmame gentil. Chegou a hora, aquela em que uma nova história de maternagem começa.

Antes de fazer meu relato de desmame gentil, quero contar a minha história de amamentação e maternidade para vocês.

Meu filho hoje tem 3 anos e 2 meses. Eu amamentei exclusivamente até os 6 meses, sem água, chás, sucos ou complementos. Não usei chupetas e mamadeiras. Fiz uma introdução alimentar saudável aos 6 meses, ofereci sucos pela primeira vez depois de 1 ano de idade e ainda hoje não é regra, meu filho adora água.

Açúcar e sal somente depois dos 2 anos e apenas em alguns alimentos, mas o consumo é moderado. Tentei engravidar por 1 ano antes de conseguir, e eu não imaginava aonde eu estava amarrando meu burrinho, no bom sentido, é claro.

De lá pra cá foram só mudanças e mais mudanças na vida, reconstruções diárias que doeram bastante em vários sentidos.

A única coisa na minha maternagem que sempre foi perfeitamente linear e que eu sempre tive segurança e certeza foi em relação a minha amamentação.

Eu sempre soube o que queria e o que era melhor para o meu filho nestes termos. Tive muita sorte, pois nunca tive problema algum para amamentar. Meu leite desceu algumas horas após minha cesárea (necessária), meu filho mamou na hora de ouro, na primeira hora pós-parto e sempre fez a pega perfeitamente bem.

Sempre tive leite excedente e fui doadora por muitos meses depois do nascimento do Fe. O Fe sempre foi um menino esperto, carinhoso e gentil. Passou a dormir noites inteiras aos 3 meses e meio e se eu acordava depois disso de madrugada era para ordenhar leite para doar.

Todas as noites, eu levantava as 5h da manhã para ordenhar o excesso e foi assim por muito tempo enquanto o meu bebê dormia tranquilo e de barriga cheia.

O pós-parto obviamente foi destruidor.

Eu acordava de 1h em 1h para amamentar, o Fe não dormia de dia e queria colo o tempo inteiro, não ficava nem 5 minutos no carrinho ou no berço para eu descansar um pouco. Não tenho família por perto e nem sempre minha mãe podia estar comigo.

Dormi sentada, amamentei deitada, fui ao banheiro carregando ele no colo várias vezes, comi com uma mão só uma comida fria.

Troquei o garfo pela colher que era mais fácil de manipular para comer. Em alguns dias não consegui tomar banho e dormi sem, estava cansada demais para perder tempo tomando banho. Em outros tomei banho correndo com o Fe chorando incansavelmente no colo do pai que não sabia o que fazer com aquele RN nas mãos, nada o acalmava senão o meu colo.

Fiz um tempo de dieta restritiva de leite e derivados porque o Fe tinha um refluxo intenso, não doença, mas intenso o suficiente para ser um RN chorão, mal humorado e que não podia deitar que golfava e vomitava em jatos muito leite.

Apesar de tudo, nas madrugadas eu levantava bem disposta a atender o Fe e em nenhum momento pensei em desistir de amamentar.

Meu marido sempre me apoiou em todas as decisões, dele eu sempre tive incentivo.

Eu nunca ouvi dele para desistir, desmamar ou dar outro leite ao nosso filho. Ele sempre me apoiou quando precisamos trocar de pediatra nos momentos em que eles queriam atrapalhar nossa amamentação e neste tempo passamos por 5 até encontrarmos um pediatra que não interferisse negativamente.

O Fe sempre foi um bebê muito mamador. Mamava muitas vezes durante o dia e a noite até os 3 meses e meio, mas os dias continuaram intensos na quantidade de mamadas por muito tempo, até os 2 anos e poucos meses quando finalmente ele começou a mudar de 10, 15 mamadas por dia para 6, depois 4 no máximo.

O que me faz chegar a este ponto crucial da amamentação e tão importante quanto todo o resto: nosso início de desmame gentil.

É aqui que nossa nova história começa.

De repente o Fe inventou uma nova brincadeira, era a corrida do beijo na barriga. Eu tinha que correr atrás dele para dar beijos em sua barriga e ele saia correndo pela casa pulando, rindo, gritando…feliz.

Essa brincadeira se tornou mais frequente que as mamadas e logo notei que ele estava começando a fazer uma troca saudável de relação de mamada com momentos compartilhados comigo.

Antes eu era o tetê, agora eu era o tetê e uma brincadeira nova. A gente sempre brincou, mas ele sempre preferia mamar antes ou na quantidade de vezes entre brincadeiras e mamadas, as mamadas sempre ganhavam. De repente, as brincadeiras aumentaram e as mamadas diminuíram.

Apenas observei em silêncio a novidade. Estavamos a mais de 2 anos nessa jornada e eu já estava cansada de amamentar, sim. Estava me sentindo cansada. Sem culpa alguma por isto, este é um relato de uma mãe real, que cansa sim.

Sinto que cumpri um papel importante até aqui e estava na hora de passarmos de fase. E foi então que eu iniciei o processo de desmame gentil e contei como foi feito em detalhes aqui neste artigo: Como estou fazendo desmame gentil com meu filho.

E de repente, depois de todo um processo cuidadoso, cheio de carinho, com muito colo e acolhimento para que esta fase fosse superada da melhor forma possível, o Fe esta a mais de 2 meses sem mamar. Eu já não tenho mais leite como antes. Eu me sinto vencedora de ter conseguido amamentar por tanto tempo. Foram 3 anos!

Ele agora dorme ouvindo história ou pede para que eu cante para ele. Brinca satisfeito, diz que é um “big boy”. Eu estava na dúvida se ele estava finalmente desmamado, quando de repente, um dia desses ele olhou para mim e disse:

– Mamãe, eu não mamo mais o tetê, eu sou um big boy!

Eu respondi: Isto mesmo, filho. E no lugar do tetê você pode ter beijos, abraços, brincadeiras, cheiro e muito colinho da mamãe.
Ele me abraçou bem grande e eu fiquei muito aliviada e feliz de ter dado tudo certo até aqui. Me senti fortalecida em minha decisão e não mudaria nada desta história.

O que eu espero a partir de agora para mim e para todas as mães é que a gente sempre chegue a este ponto em nossa maternagem: aquele em que não sentimos culpa pelas decisões tomadas e nem tristeza pelos desafios que temos que enfrentar como mães. E que acima de tudo, todas consigam maternar sempre com muito amor, carinho e respeito.

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