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Quando se começa a amamentar, as vezes, muitas mães encontram dificuldades no meio do caminho, por isso é importante se informar sobre o que é mastite e como tratar para identificar rapidamente o problema.

A mastite é uma infecção bacteriana nas mamas, que normalmente ocorre apenas em uma delas e pode ser causada por uma infecção. Ela costuma dar febre, dor de cabeça, dores articulares, bem parecidos com uma síndrome gripal, quando na realidade o problema esta nas mamas. As vezes os sintomas são muito mais fortes que a infecção em si nas mamas e pode ser que algumas mulheres demorem a notar a inflamação local. O peito costuma ficar vermelho, inchado e bem dolorido, tanto completamente quanto em alguma área específica da mama.

A mastite pode aparecer em qualquer momento da amamentação, mas costuma ocorrer com maior frequência nos primeiros meses que é quando o corpo ainda esta ajustando a produção de leite materno. É importante não confundir mastite com ingurgitamento mamário e principalmente achar que o ingurgitamento mamário que costuma acontecer nos primeiros dias de amamentação é uma mastite. Na verdade, nos primeiros dias quando ocorre a apojadura, pode ser que a mãe tenha apenas um ingurgitamento devido a grande produção de leite materno.

Segundo Carlos González, quando a mãe apresenta sintomas parecidos com os da mastite, porém não tem nenhum componente inflamatório (que é diagnosticado com exames de laboratório), o caso pode se tratar de um ingurgitamento ou ducto entupido mais grave.

De qualquer forma, o acompanhamento médico e com profissionais de amamentação é sempre importante e muito útil para aliviar os sintomas e resolver a situação o mais rápido possível com as técnicas adequadas.

Como tratar a mastite?

Um dos problemas da mastite é a retenção do leite e o ingurgitamento no peito e para isso é preciso massagear bem as mamas de forma vigorosa, ordenhar o leite em excesso e colocar o bebê para mamar mais vezes do que o habitual porque isto alivia o incômodo e acelera a recuperação.

Uma mama muito cheia é difícil para o bebê mamar e por isso, ordenhar o suficiente para que o peito fique mais “murcho” é o ideal. Muitos dizem que quanto mais ordenhar, mais se produz, embora isto seja verdade, manter o leite no peito ingurgitado, pode ser pior do que esvaziá-lo em uma situação mais séria.

Quando a mastite é infecciosa, além de amamentar com frequência e extrair o leite várias vezes durante o dia, é preciso tomar um antibiótico que somente o médico poderá receitar e por isso procurar atendimento médico é essencial nestes casos.

Interromper a amamentação pode piorar o quadro de mastite, então o ideal é continuar amamentando. E sim, o bebê pode mamar nos dois peitos, inclusive no que estiver com mastite, pois isto não tem problema algum e não representa nenhum risco, apenas benefícios para a mãe e o bebê. A infecção da mastite não se transmite para o bebê e os medicamentos indicados são compatíveis com a amamentação, se você estiver em dúvida pode consultar aqui: Amamentação e uso de medicamentos.

Geralmente o tratamento medicamentoso tem uma duração de 10 dias e deve ser feito até o final, mesmo depois da melhora dos sintomas, para evitar recaídas no quadro.

Quando a mãe sente dor, um analgésico compatível com a amamentação pode ser usado para alívio durante o tratamento. Repousar é sempre importante para que a mãe consiga se recuperar plenamente, por isso, é preciso de apoio e ajuda física e emocional.

As polêmicas compressas nas mamas

Digo polêmicas porque hoje em dia as pessoas indicam compressas para tudo em todos os casos. Já vi em grupos maternos mães indicando a outras mães compressas tanto frias como quentes para mastite, ingurgitamento e outros problemas. Calma Lá! Vamos aos fatos reais:

Compressas quentes para mastite não tem função terapêutica alguma e pode piorar o quadro criando uma vasodilatação que acarreta em MAIS produção de leite materno e convenhamos, em uma mama com mastite isto é o que menos precisamos, né?

Compressas frias podem ser usadas DESDE QUE, não ultrapassem um tempo mínimo de 15 minutos. Usadas por mais tempo do que isto causam uma vasodilatação reflexa que acarreta em MAIS produção de leite, efeito indesejável neste momento como já mencionado acima. No entanto, ainda assim o uso indevido e sem acompanhamento pode causar o aumento da dor na mama com mastite e dificuldade para ordenhar o leite acumulado e como vimos no início do artigo, ordenhar o excesso de leite é fundamental.

Então, se você não estiver sendo acompanhada por um profissional de aleitamento materno, não use as compressas, nem quente e nem fria.

Sobre amamentar com mastite

O ideal é que se inicie a amamentação na mama não afetada para que a mãe consiga liberar ocitocina e ejetar seu leite, pois a dor ao amamentar na mama afetada pode inibir este processo dificultando ainda mais. Depois que se iniciou a amamentação e o leite começa a ser ejetado, pode-se mudar para a mama afetada. Se a dor for demais ou o bebê recusar esta mama já que geralmente o leite muda de sabor com a mastite, é preciso ordenhá-la para esvaziar, pois isso alivia o incômodo e ajuda na melhora do problema.

Lembre-se: na maior parte dos casos a incidência de mastites esta relacionada a técnicas ruins de aleitamento e o não esvaziamento completo da mama ou infrequente e isto esta relacionado a uso de bicos artificiais que fazem o bebê ir menos ao peito da mãe para mamar, não fazer livre demanda e também ao uso indevido e mal indicado de fórmulas complementares. Fique atenta, se cerque de profissionais especializados e que apoiem e incentivem a amamentação.

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