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Resolvi escrever esse texto porque ultimamente existe uma certa onda que demoniza a rede como um todo e como mãe, vejo a internet sendo um dos bodes expiatórios para justificar a falta de educação e limites de muitos adolescentes, mas principalmente, a rede é apontada como causa única do afastamento dos adolescentes e dos pais.

Friso que esse artigo fala sobre adolescentes (maiores de 12 anos) e não trata especificamente sobre as redes sociais, mas sim uma explanação sobre novas possibilidades. Dito isto, gostaria de chamar a atenção primeiramente para dois pontos:
1) A internet tem com certeza muito mais pontos positivos do que negativos, o comportamento dos usuários é que determinam os efeitos, tanto bons, quanto ruins.
2) Sendo assim, é fundamental refletir se a razão do distanciamento dos filhos e dos pais é culpa exclusiva do conteúdo que os jovens consomem online.

Com essas duas afirmativas em mente, seguimos…

Somos uma família totalmente conectada na internet desde os tempos áureos da rede discada. Assim, passei a minha adolescência convivendo e interagindo com a rede, usei mirc, irc, icq, fotolog até aparecer o finado orkut.
Dessa forma, fui uma filha adolescente conectada e hoje, tenho um filho adolescente que embora use pouco as redes sociais, mais por preguiça, também trabalha com a internet e é audiência de inúmeros canais no Youtube.

O único que tem pouco ou quase nenhum contato com a rede é o caçulinha, mas ele assiste Netflix e aparece bastante no Instagram!

Sem contar que foi pelo messenger, que falei algumas (2 anos)  horas com o meu marido antes até do primeiro beijo, quando ele morava no México, marido que também usa a rede para fazer cursos à distância, pegar receitas para preparar os nossos almoços e ainda assistir o campeonato de surf pela Smart tv.

Temos o nosso dia  musicado pelas listas do nosso Spotify family, que se revezam no bluetooth da nossa caixa de som power e passamos sábados juntinhos com pipoca, sofá e Netflix!

Mas isso não quer dizer que a nossa casa não tenha as suas regras e limites, e que vivemos em uma espécie de babilônia do wifi, muito pelo contrário, razão pela qual posso afirmar que temos uma ótima relação com o mundo digital e por isso, ao nos depararmos com o tema que questiona se a tecnologia tem afastado ou aproximado mais as famílias, a resposta encontrada no debate do jantar foi óbvia (pelo menos para nós): A internet só favorece o distanciamento familiar de quem de fato, já anda muito afastado.
Dei uma pesquisada rápida no Google procurando artigos que tratassem da temática “internet e os filhos adolescentes”, mas os resultados foram na sua maioria, artigos que ensinam somente como controlar o uso da internet.

Controlar, restringir e policiar.

Não acredito que este seja o caminho, pois a maioria dos filhos adolescentes sabem muito mais de internet do que os pais e conseguem facilmente burlar todos esses sistemas, todavia são poucos os pais que efetivamente usam os softwares de segurança disponíveis. Dessa forma, devemos ser francos, a maioria dos pais não toma nenhuma dessas precauções e além, terceirizam o tempo com os filhos para a internet, sendo que ao mesmo tempo reclamam que os filhos só ficam na internet. Confuso né?

Na pesquisa mais recente do IBGE, mais especificamente do PENSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), foi contatado que 70% dos brasileiros não supervisionam os deveres de casa das crianças, mais de 40% não sabem o que elas fazem no tempo livre e 25% desconhece que o filho tenha faltado às aulas.

Este ano, na primeira reunião de pais na escola, constatei ao assinar a lista de presença que a maioria dos pais não compareceu ao primeiro encontro com a direção e professores, o auditório vazio também evidenciava isso, razão pela qual não seria necessária uma pesquisa do IBGE para percebermos como os pais estão relapsos, ou talvez…perdidos.

Voltando ao tema central, os pais precisam educar e guiar os filhos para que utilizem a rede de forma benéfica e saudável e por isso é preciso refletir sobre alguns pontos:
– Você já parou para observar e avaliar (de forma sincera) sobre como você se comporta nas redes sociais?
– Você presta atenção no seu filho mesmo quando o assunto é games, youtubers, super-heróis, livros e desenhos que não te interessam?
– Você acha que todo o conteúdo (filmes, séries, livros…) adolescente é um lixo?

– Você consegue consumir alguns conteúdos da internet junto com os seus filhos?

E ai? Como foram as suas respostas?

Acredito que muitas vezes o que ocorre e facilita o distanciamento, é um misto de falta (ou má) de comunicação, combinada com o desinteresse (ou cansaço?!) dos pais, pois muitos não conseguem nem compreender o que os filhos tanto fazem em seus smartphones, tablets e notebooks e por isso ignoram como esses adolescentes se comportam e fazem uso da rede.

Outros pais entretanto, não deixam os filhos terem nenhum, ou quando muito, um acesso super restrito à rede, pois somente conseguem enxergar os malefícios, principalmente quem de forma exclusiva o Facebook, baseando-se nas suas timelines super baixo astral!

Para esse artigo, solicitei via Snapchat que alguns colegas do meu filho me enviassem depoimentos, onde relatassem as maiores dificuldade dos seus pais para entenderem o que esses jovens acessam na internet e o que eu pude perceber foi como os pais conhecem muito pouco além do que as redes sociais populares oferecem e assim acabam ignorando todas as outras plataformas achando tudo muito inútil.

Então, o que eu gostaria de propor com esse texto não é de forma alguma um manual de conduta sobre como os pais devem educar os filhos ou determinar os horários de uso da internet.

Na verdade, quis trazer com esse artigo, algumas sugestões para que os pais possam encontrar uma variedade de atividades digitais e super bacanas para toda a família se divertir junta, mas alerto que somente se os pais se dispuserem a ter mais “tempo” para conhecer os gostos dos filhos e quem sabe assim, até guiá-los melhor na escolha dos conteúdos que assistem, pois só se pode criticar o que a gente conhece, não é mesmo?
Por isso, pergunte e se envolva mais, pois os interesses de adultos e adolescentes são realmente muito diferentes, mas entre pais e filhos isso não deve ser uma barreira!

Então vamos lá! Fiz uma pequena seleção com alguns conteúdos que nós, como família, realmente gostamos na internet:

Games muito legais e super educativos:

  • Minecraft: “Em escolas de países como Estados Unidos, China, Suécia e Alemanha, o Minecraft foi adotado como parte fundamental do currículo em aulas de literatura até matemática. No Brasil, o colégio Bandeirantes, em São Paulo, iniciou este ano um projeto de história para alunos do 9º ano onde o jogo aparece como o principal pilar das atividades desenvolvidas.”

*O jogo vai muito além de personagens quadrados e game plays que as crianças assistem em looping, e acredito que seja essa a maior “antipatia” dos pais com os jogos, os tutoriais no youtube!

Realmente existem muitos canais do que falam sobre jogos em geral e alguns tem linguajar e conteúdo inapropriado, mas não são todos…por isso ao invés de proibir, quem sabe colocar a criatividade em funcionamento junto com os filhos, jogando e podendo dar forma para tudo o que a imaginação permitir e juntos também encontrar canais legais que falem sobre o jogo.
  • Eyewire: Jogo sugerido pela professora de português do meu filho! Nos apaixonamos!!

“Ao se juntar ao jogo EyeWire, uma pessoa pode ajudar a mapear o “conectoma”, começando com conexões entre os neurônios da retina.

EyeWire jogabilidade avança a neurociência, ajudando os investigadores descobrem como os neurônios se conectam e a rede para processar a informação visual. Os jogadores também ajudam a desenvolver uma inteligência artificial avançada e tecnologias computacionais para mapear o conectoma.”
Fonte: Wikipedia

Canais no Youtube:

  • Educação:

Manual do Mundo
Khan Academy
Descomplica

Os dois últimos são mais específicos sobre as matérias escolares e o Manual do Mundo é um divertidíssimo canal de ciências.
Esses são alguns dos nossos programas favoritos, mas existem muitos outros e uma imensidão de opções para que pais e filhos se conectem em um interesse comum e quem sabe assim, “se conhecendo” melhor, as distâncias serão encurtadas e os obstáculos derrubados! E seguindo a onda atual… Por pais e adolescentes mais próximos e conectados! Siiim!!!
 Conhece mais alguma sugestão legal? Manda pra gente!!

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