Bebê chorando: como o cérebro materno reage para atender o bebê

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Bebê chorando, Portal Mãe Pop

Ouvir um bebê chorando é algo que deixa mães muito incomodadas, mesmo quando o bebê nem é dela.

Eu não sei você, mas meus sinais de alerta ficam piscando internamente quando ouço lá no fundo um bebê chorando. Houveram momentos em quê parei o que estava fazendo, levantei de minha mesa de trabalho e fui até a janela procurar de onde vinha o choro e se estava tudo bem.

A sensação é de um incômodo constante até que a gente tenha certeza de que as coisas vão bem. A natureza é muito sábia e esta reação de incômodo quando ouvimos um bebê chorando serve justamente para que façamos alguma coisa.

Ou, em outras palavras, que a gente resolva o problema que um bebê sozinho não consegue, certo?

A mãe aprende com o tempo a identificar o tipo de choro do bebê como nenhuma outra pessoa. Desde o choro de fome, de dor, de sono, desconforto e até tristeza. Sim, nós temos super-poderes de mães concedidos pela sábia natureza.

Esta qualidade como expert em tipos de choro do bebê nos faz distinguir rapidamente o problema e agir para que ele se resolva respondendo adequadamente nos cuidados com o bebê.

Mas o quê acontece no cérebro materno quando a mãe ouve seu bebê chorando?

Muitos estudos já forma feitos para entender o que acontece quando um bebê chora e embora pareça um processo simples, choro = resposta, um estudo do Journal of Neuroendocrinology explica que existe realmente uma incrível quantidade de atividade cerebral e sistemas correspondentes que funcionam para produzir uma resposta adequada ao choro do bebê.

O estudo explicou que existem várias áreas do cérebro envolvidas para produzir uma resposta ao choro do bebê e descreveu como o cérebro materno é ativado quando o bebê começa a chorar. Claro que muitas mudanças no cérebro materno se iniciam já durante a gravidez e incluem um aumento significativo de dopamina, o preparando para a maternidade. Veja mais sobre isto aqui: Cérebro de mães fica turbinado após nascimento de filhos

Nem só de dopamina vive um cérebro materno, a ocitocina, presente também durante a amamentação, desempenha um papel importante na regulação do comportamento materno na pronta resposta ao bebê. 🙂

Veja mais sobre isso aqui: Ocitocina na amamentação: hormônio do amor e ejeção do leite

Dopamina, ocitocina, entre outros…são hormônios que desempenham papeis importantes na maternidade: promovem o vínculo, a empatia e ajudam a estabelecer uma conexão íntima com o bebê.

Além disso, ativam nosso sistema de recompensa, fazendo com quê as mães se sintam satisfeitas e com uma sensação gratificante quando atende o bebê. Já percebeu que uma sensação de bem estar percorre todo o seu corpo depois que seu bebê se acalma e tranquiliza após o choro? Que alívio, não é mesmo? E é desta forma que a natureza te presenteia com sensações boas, mesmo depois de tanto trabalho que há ao cuidar de um bebê.

Nem todas as mães são iguais e o meio e situações podem afetar a forma como respondem ao bebê.

O mesmo estudo sugere que mães que tiveram partos normais, conseguem demonstrar a resposta cerebral ao choro do bebê entre 2 a 4 semanas após o nascimento de forma mais intensa que mães que precisaram passar por uma cesárea. O estudo também descobriu que mães que amamentam também são mais responsivas ao choro do bebê do que as que não amamentam.

Isso não quer dizer que uma mãe é melhor que outra, segura esse coração aí. Isso quer dizer apenas que existem diferenças hormonais as respostas e que, principalmente nas que amamentam, estas regulações hormonais sejam essenciais para a produção de leite, entende?

O cérebro materno, apesar de se revirar com todo choro de qualquer bebê, aprende e identificar o choro do seu bebê e aprende sobre ele. Isso significa que você sabe exatamente o motivo do seu bebê chorar, mas pode não saber o motivo de um outro bebê, que não seja o seu, chorar. Não que nos incomode menos, não. Ficamos preocupadas do mesmo jeito.

Você já imaginou se nosso cérebro fosse capaz de identificar o tipo de choro de todos o bebês? Seria como ouvir o pensamento de muitas pessoas ao mesmo tempo e provavelmente uma sobrecarga mental.

Em vez disso, o nosso cérebro que é muito esperto, filtra estes choros e se concentra naquele que nos importa mais para aprender a responder de forma efetiva a quem realmente interessa que ele responda.

Problemas emocionais como depressão, traumas e doenças mentais podem causar danos que impeçam muitas mulheres de aprender a regular estes hormônios e as impeça de reconhecer e até responder ao choro do bebê.

Um outro estudo mais recente também confirmou que as mudanças que ocorrem no cérebro materno são reais e acontecem com mães do mundo inteiro. Essencialmente, isto serve para que os cuidados com o bebê estejam sempre em primeiro lugar em nossa vida e que, principalmente, deixar um bebê chorando significa sofrimento e muito estresse para nossos cérebros.

Veja os efeitos negativos de deixar um bebê chorando aqui: Atenda o choro do bebê: segundo pesquisa pais devem dar colo e atender seus bebês

Existem também diferenças na resposta cerebral entre mulheres que são mães e as que não são. Ou seja, somente sendo mãe para entender a realidade da maternidade, não é mesmo?

Lembre-se que o choro do bebê é a única forma que ele tem para se comunicar com o mundo e avisar que algo o incômoda. A sobrevivência do bebê depende de sua capacidade de chamar pela sua mãe e cuidadores chorando.

Leia também:

 

Referências:

Bornstein, M. H. et al. (2017). Neurobiology of culturally common maternal responses to infant cry. PNAS Plus – Social Sciences – Psychological and Cognitive Sciences, 114 (45) E9465-E9473; published ahead of print October 23, 2017, doi:10.1073/pnas.1712022114
Swain, J. E., Kim, P., & Ho, S. S. (2011). Neuroendocrinology of Parental Response to Baby-Cry. Journal of Neuroendocrinology23(11), 1036–1041. http://doi.org/10.1111/j.1365-2826.2011.02212.x
Swain, J & Shaun Ho., S. (2012, June). What’s in a baby-cry? Locationist and constructionist frameworks in parental brain responsesBehavioral Brain Sciences, 35(3): 167–168. doi: 10.1017/S0140525X11001762


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