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Como imaginar que quando uma mãe esta amamentando o bebê, ela ao mesmo tempo fornece alimentos para bactérias que protegem o bebê?

Isto significa que no momento em quê uma mãe esta amamentando, seu leite além de ter todos os benefícios nutricionais perfeitos e adequado para o bebê, alimenta bactérias para que elas se desenvolvam na flora intestinal do bebê e o proteja.

O leite é uma fonte perfeita de nutrição, conhecido como o melhor alimento do mundo para o bebê e realmente é digno do rótulo.

O leite é uma inovação de mamíferos, comum aos ornitorrincos e pangolins, humanos e hipopótamos, seus ingredientes variam de acordo com o que cada espécie precisa. O leite humano é uma maravilha particular.

No entanto, ao longo do tempo, o leite materno humano esteve repleto de oligossacarídeos que pareciam não servir para nada, já que o organismos do bebê não consegue processá-los.

Com mais de 200 tipos de oligossacarídeos presentes no leite materno, não se sabia de fato, o motivo de nosso leite produzir tantos açúcares complexos. São o terceiro ingrediente no leite humano em escala de quantidade depois da lactose e das gorduras.

Apesar de serem uma fonte rica de energia para o crescimento dos bebês, os mesmos não podem ser digeridos. Então, para quê servem afinal?

Sabemos que quando uma mãe esta amamentando um bebê, seu leite se adapta as necessidades de cada bebê, se torna um alimento único e específico. Logo, provavelmente haveria um motivo para esta produção abundante de açúcares não digeríveis, pois, sua presença sem sentido, não fazia de fato, sentido.

Por que uma mãe gastaria tanta energia fabricando esses produtos químicos complicados se eles fossem aparentemente inúteis para o filho dela? Por que a seleção natural não colocou o pé em uma prática tão desperdiçada?

Os oligossacarídeos presentes no leite materno passam pelo estômago do bebê e o intestino delgado ilesos, chegam até o intestino (onde esta a maioria de nossas bactérias) e lá, qual seria sua função senão alimentar estar bactérias?

Isto significa que a mãe produz leite para o bebê de forma dinâmica, mutável, adequada e perfeita e ainda produz substâncias dentro deste mesmo leite que alimentam bactérias no organismo do bebê que o protegem. Quando uma mãe esta amamentando o seu bebê, ela também esta alimentando bactérias para protegê-lo.

Pediatras descobriram que os micróbios chamados Bifidobacteria (“Bifs”, para seus amigos) eram mais comuns nas fezes de lactentes amamentados do que os alimentados com mamadeiras. Eles argumentaram que o leite humano deve conter alguma substância que alimenta a bactéria – algo que os cientistas chamaram de fator bífido.

Enquanto isso, os químicos descobriram que o leite humano contém carboidratos que o leite de vaca não possui, e gradualmente reduziu essa mistura enigmática até seus componentes individuais, incluindo vários oligossacarídeos.

Este foi o resultado da parceria entre Richard Kuhn (químico, austríaco, prêmio Nobel) e Paul Gyorgy (pediatra, norte-americano nascido na húngara, advogado do leite materno).

Juntos, eles confirmaram que o misterioso fator bífido e os oligossacarídeos do leite eram o mesmo – e que alimentavam os micróbios intestinais.

Nos anos noventa, os cientistas sabiam que havia mais de uma centena de oligossacarídeos no leite, mas eles tinham caracterizado apenas alguns. Ninguém sabia o que a maioria deles parecia ou quais espécies de bactérias alimentavam.
Em 2006, a equipe descobriu que os açúcares alimentam seletivamente uma subespécie: Bifidobacterium longum infantis. O leite humano evoluiu para nutrir o micróbio, este especificamente, é o que mais se encontra nos bebês amamentados.

À medida que digere oligossacarídeos do leite materno, ele libera ácidos gordos de cadeia curta, que alimentam as células intestinais de uma criança. Através do contato direto, este micróbio também incentiva as células intestinais a criar proteínas adesivas que selam as lacunas entre elas, mantendo os micróbios fora da corrente sanguínea, além de criar moléculas anti-inflamatórias que calibram o sistema imunológico.

Em outras palavras, o potencial benéfico do microbio é desbloqueado apenas quando se alimenta de leite materno. Da mesma forma que uma criança colhe os benefícios completos que o leite pode fornecer.

Por essa razão, David Mills, um microbiologista que trabalha com o alemão, realmente vê a B. infantis como parte do leite, embora seja uma parte que não é feita no peito.

Não está claro por que o leite materno humano se destaca entre os demais mamíferos. Tem cinco vezes mais tipos de oligossacarídeos que o leite de vaca, e várias centenas de vezes a quantidade. Mesmo o leite de chimpanzé é empobrecido em comparação com o nosso.

Algumas das explicações possíveis para essa diferença envolve nossos cérebros, que são famosamente grandes para um primata do nosso tamanho, e que crescem incrivelmente rápido durante nosso primeiro ano de vida. Esse crescimento rápido depende em parte de um nutriente chamado ácido siálico, que também é um dos produtos químicos que a B. infantis libera enquanto se alimenta dos açúcares do leite materno.

É possível que, ao manter esta bactéria bem alimentada, os bebês se tornem mais inteligentes.

Quando um agente patógeno infecta nosso corpo (intestino principalmente), estes oligossacarídeos podem ajudar a bloquear uma série de vilões intestinais.

Até mesmo os bebês prematuros podem obter vantagens com estas novas descobertas. A enterocolite necrozante é uma das doenças que mais afeta prematuros, pois eles nascem com um microbioma muito vulnerável e sensível, um ambiente perfeito para a proliferação de patógenos oportunistas. Após as descobertas dos oligossacarídeos presentes no leite materno e sua real função, é possível hoje estabelecer uma forma de tratamento para os prematuros com uma combinação de B. Infantis e leite materno para proteger seu microbioma.

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