Tempo de leitura deste artigo:6 minutos

A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) se tornou um nome conhecido entre muitas mães, no entanto, até médicos ainda a confundem com intolerância à lactose.

A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) acontece quando o organismo entende que a proteína do leite de vaca é uma substância estranha para o corpo e causa um processo alérgico que pode se manifestar de várias formas.

O que acontece com o organismo?

Quando a criança ingere leite de vaca e alimentos que contenham proteínas do leite de vaca, desde por alimentos industrializados até através do leite materno da mãe (de acordo com o que ela consumiu), o sistema imunológico da criança luta contra as proteínas como se elas fossem agressoras do organismo e esta luta do corpo pode causar uma série de sintomas, tanto gastrointestinais, cutâneos e em casos mais graves até respiratórios.

A alergia à proteína do leite de vaca costuma aparecer principalmente nos primeiros anos de vida e atinge cerca de 2% das crianças. As causas vão desde predisposição genética até fatores ambientais.

A cura da APLV costuma ser mais rápida para crianças que continuam mamando no peito da mãe, por isso interromper o aleitamento materno por causa da alergia não costuma ser uma boa escolha para a criança.

Claro que, para que o aleitamento materno seja mantido para crianças com alergia à proteína do leite de vaca, a mãe precisará fazer um dieta de restrição de leite e de todo e qualquer produto que contenha a proteína do leite de vaca, bem como alimentos que contenham traços da proteína do leite de vaca.

Como funciona a dieta?

De forma prática, significa que você a partir de agora terá que olhar todos os ingredientes do que for consumir para ter certeza que não tenha proteína do leite de vaca (que inclusive vem com vários nomes diferentes), terá que entrar em contato com o SAC de alguns produtos para confirmar a ausência do leite, consumir mais produtos da feira como verduras, legumes, grãos, frutas e menos produtos industrializados do mercado.

Entrar em um grupo de apoio e seguir páginas sobre APLV é fundamental para que você aprenda receitas novas livres de leite, aprenda a fazer substituições de produtos e se familiarize com os produtos não aconselhados.

Dependendo da gravidade da alergia do seu filho, será preciso ficar atento até mesmo produtos de higiene pessoal e limpeza que contenham leite na composição.

O que são “traços”?

Quando alguns alimentos industrializados são produzidos no mesmo maquinário que alimentos que contenham à proteína do leite de vaca, alguns “traços” da proteína se fixam nestes alimentos, mesmo que não faça parte de seus ingredientes, então o alimento fica contaminado com o alergênico.

Isto também pode acontecer quando você faz uma vitamina com leite para uma outra pessoa da família e usa depois o mesmo liquidificador para fazer outra receita para seu filho alérgico. Então, os traços contidos em partes das vasilhas, equipamentos e buchas, além de todo tipo de produto ou ferramenta para manusear os alimentos, ficam contaminados.

O que fazer para me livrar dos “traços”?

Se você descobriu que seu filho é alérgico à proteína do leite de vaca, separe em sua casa todas as vasilhas, equipamentos e produtos de higiene como buchas que serão usados apenas nas coisas dele do resto da família.

O mais seguro, na verdade é que a família inteira entre na dieta e adote um novo hábito alimentar para segurança da criança.

Sintomas comuns que a criança apresenta:

Gastrointestinais

Vômitos, dor abdominal, refluxo oculto (quando você vê que algo volta na garganta do bebê mas não sai e ele chora), regurgitação, diarréia (as vezes pontos vermelhos de sangue nas fezes), cólica persistente, recusa alimentar, constipação.

Cutâneos

Coceira, vermelhidão, lesões na pele, inchaço/edema dos olhos e lábios.

Outros possíveis sintomas:

Baixo ganho de peso (lembrando que isoladamente um ganho de peso mais baixo pode estar relacionado a técnica de amamentação e não a doença), manifestações respiratórias, anafilaxia (choque anafilático quando exposto) e crescimento abaixo da curva.

Diferença entre alergia à proteína do leite de vaca e intolerância à lactose

A intolerância à lactose é causada por uma dificuldade do organismo em digerir o açúcar do leite (lactose) e os sintomas são de ordem gastrointestinais como distensão e desconforto abdominal, vômitos, gases e diarréia.

A alergia à proteína do leite de vaca é quando o corpo não reconhece as proteína do leite e as ataca no organismo, é uma manifestação alérgica e geralmente mais grave do que intolerância à lactose, possuindo muito mais do que sintomas gastrointestinais.

  • Uma pessoa que é intolerante a lactose PODE consumir produtos derivados do leite, desde que sejam produtos sem lactose, que é o acúcar do leite.
  • Uma pessoa que possui alergia a proteína do leite de vaca NÃO pode consumir nada que contenha leite ou derivados, mesmo os sem lactose.

Como reduzir o risco do bebê desenvolver alergia à proteína do leite de vaca e outras alergias?

Amamentar é a melhor proteção que você pode oferecer ao seu bebê contra alergias. Estudos mostram que as crianças exclusivamente amamentadas pelo menos nos primeiros seis meses são menos propensas a desenvolver alergias em comparação com bebês alimentados com fórmula contendo a proteína do leite de vaca .

A amamentação reduz a exposição do seu bebê aos alergenos de fontes alimentícias encontradas na fórmula à base de leite de vaca, bem como certos alimentos.

O leite materno contém anticorpos que ajudam a fortalecer o sistema imunológico imaturo do bebê para combater as reações alérgicas, também é uma boa fonte de ácidos graxos ômega-3 que ajudam no desenvolvimento do sistema imunológico e evita que as alergias se desenvolvam.

Posso dar leite artificial comum para meu bebê alérgico à proteína do leite de vaca?

Não. Em hipótese alguma. Toda fórmula infantil contêm leite de vaca em sua composição. Algumas fórmulas específicas hidrolisadas são recomendadas para crianças APLV que não mamam mais no peito, mas NUNCA a fórmula artificial comum. Converse sempre com o seu médico antes de oferecer qualquer coisa ao seu bebê alérgico.

Leia também:

Deixe um Comentário

comments